EDITORIAL

Há que ter bandeiras

Há vários segmentos comunitários dos quais se exigem bandeiras, ideias que sinalizam propósitos e firmam posições. Isso existe desde que humanos trilharam os primórdios da civilização.
Não é diferente com os jornais: desta trincheira, da qual há quase 62 anos, lutamos pelos interesses da cidade, tivemos e temos bandeiras que identificam nossos propósitos. E estabelecem sinergia com a comunidade. Foi assim na primeira edição (13 de dezembro de 1957), cuja manchete propugnava pela eletrificação da linha férrea até São Paulo. Seguiram-se muitas outras e, ainda hoje, estamos a lutar pelo heliponto do Hospital Luzia de Pinho Melo. Em muitas outras empresas privadas, as bandeiras denotam solidez, confiança.
Ou alguém desconhece as mensagens embutidas em anúncios de estabelecimentos bancários, instituições que vivem da confiança transmitida

Também na política. De triste lembrança, a eleição de Fernando Collor de Melo decorreu de sua bandeira de “caça aos marajás”, assim como Fernando Henrique Cardoso elegeu-se na onda da bandeira pela estabilidade da moeda. E Luiz Inácio Lula de Silva levantou, no primeiro mandato, a bandeira do social para todos. Manteve-a desfraldada por dois mandatos.
Então veio Dilma Rousseff. Se fez uma vez presidente, se fez duas vezes presidente. Mas, sem bandeira no segundo mandato, perdeu tudo por não ter tido a capacidade de conduzir ideias como seu antecessor. E chegou-se Jair Bolsonaro, com a bandeira de pôr fim à corrupção. Esta pensata nos vem à mente a propósito de recentes acontecimentos na América Latina.

O Chile tem uma das economias mais estáveis dentre os vizinhos, mas seu presidente atual, Sebastián Piñera, está em palpos de aranha, por não ter conseguido atender às demandas populares, que querem mais do que uma economia estável. Sua única bandeira.
O que dizer, então, de Evo Morales, hoje asilado no México, depois de renunciar à presidência da Bolívia! Nos seus 13 anos de poder, Morales diminuiu a pobreza, a taxa de desemprego e deu novo patamar à economia do País. Ocorre que suas bandeiras se esgotaram. E Nicolás Maduro, na Venezuela, ainda não teve o mesmo fim porque goza de apoio militar. Que prestem atenção os políticos daqui, a menos de um ano das próximas eleições: há que ter bandeiras. O eleitor espera mais do que lições de casa cumpridas com dedicação.


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