EDITORIAL

Notícias preocupantes

A transferência de 261 funcionários da EDP de Mogi das Cruzes para a nova sede, em São José dos Campos, e as dificuldades enfrentadas por uma das empresas do Núcleo Industrial Alcides Celestino, em César de Souza, são notícias preocupantes.

A concessionária de energia gerava no município 722 empregos até o momento. O remanejamento impacta, a princípio, a vida de 261 pessoas, que passarão a fazer as viagens diárias para o Vale do Paraíba. Outros setores permanecerão na planta mogiana, garante a empresa.

Essa notícia produz efeitos imediatos e futuros. Os funcionários atuais deverão ser incorporados na nova estrutura, se assim quiserem e se adaptarem.

Com o tempo, no entanto, a tendência é que essas vagas passem a ser ocupadas por pessoas que residam mais próximas da nova sede de operações da empresa, que optou pelo Vale do Paraíba. E é sobre esse aspecto que o mercado de trabalho mogiano e regional sofre uma derrota que a cidade não conseguiu, a tempo, reverter.

Em 2013, a EDP inaugurou em Mogi das Cruzes um call center, tocado por 700 pessoas, responsáveis pelo atendimento aos seus mais de 3 milhões de clientes. Desde outubro do ano passado, no entanto, São José dos Campos ganhou a unidade, com a geração de 430 postos de trabalho.

Ao prefeito Marcus Melo coube lamentar quando recebeu a informação da decisão já tomada pela concessionária de empresa portuguesa.

Mesmo uma empresa de grande porte, como uma EDP, se adapta aos rumos do negócio e da economia. Mas, veja, ninguém para de usar energia elétrica mesmo em tempos de bolsos vazios. Faltou à cidade interferência política diante de uma determinação prejudicial aos interesses mogianos.

Mogi perde um quadro importante de empregos diretos e indiretos qualificados e bem remunerados. Sobretudo no longo prazo porque o tempo determinará a renovação dessa mão de obra.

Mogi não é uma ilha. Sofre, óbvio, com a situação desenhada nacionalmente. Mas, nesse caso, a cidade está perdendo um terreno considerável.

Também é preocupante a dificuldade enfrentada pelos funcionários e dirigentes da empresa Tropical Fresh, em César de Souza. A direção informa que tenta reverter os prejuízos sofridos com a redução dos pedidos dos fornecedores. Descarta o fechamento, um grande alento, sem dúvida, diante dos rumos do desemprego. Porém, muitas empresas continuam enxugando seus quadros. Esse é o problema, como o índice de demissões e admissões mensurado pelo Ciesp indicou no mês passado, quando Mogi demitiu mais do que outras cidades do Alto Tietê.