CIRCUITO

Eduardo Zugaib e a gestão de mudanças

Eduardo Zugaib. (Foto: Heitor Herruso)
Eduardo Zugaib. (Foto: Heitor Herruso)

Escritor e publicitário, foi dando aulas de comunicação que o mogiano Eduardo Zugaib se descobriu palestrante com foco no desenvolvimento humano. Além das aulas e depois de já ter alguns títulos infantojuvenis publicados ele resolveu compilar uma série de anotações e artigos sobre experiências pessoais e criou em 2014 ‘A Revolução do Pouquinho’, livro que extrapolou o mercado editorial e ganhou os palcos em formato de palestra e também as empresas, como treinamento corporativo. Com a metodologia estabelecida, Zugaib passou a rodar o país inspirando líderes e empreendedores, trabalho que detalha nesta entrevista.

Escritor e publicitário, foi dando aulas de comunicação que o mogiano Eduardo Zugaib se descobriu palestrante com foco no desenvolvimento humano. Além das aulas e depois de já ter alguns títulos infantojuvenis publicados ele resolveu compilar uma série de anotações e artigos sobre experiências pessoais e criou em 2014 ‘A Revolução do Pouquinho’, livro que extrapolou o mercado editorial e ganhou os palcos em formato de palestra e também as empresas, como treinamento corporativo. Com a metodologia estabelecida, Zugaib passou a rodar o país inspirando líderes e empreendedores, trabalho que detalha nesta entrevista.

Como motivar as pessoas?

Não se motiva ninguém. O máximo que se faz é inspirar, contando histórias, fazendo elas se enxergarem num relato espelhado de algo que você fala. É a técnica do story telling, que nada mais é do que saber contar histórias, estabelecendo um momento de mentoria, contando um problema parecido com o que a plateia vive. Isso faz com que as pessoas se lembrem das próprias histórias, mas é preciso saber manter a catarse, o estado de emoção exacerbado gerado pela fala do palestrante, com a regularidade de ações.

A Revolução do Pouquinho’ surgiu num momento de crise nacional. Como você enxerga o trabalho motivacional em tempos como os que vivemos?

Se por um lado as contratações diminuem, por outro elas aumentam, até mesmo ajudar para as pessoas a digerir as mudanças que estão acontecendo. Na verdade, na crise é quando mais se cresce, e a questão, na verdade, é que não vivemos uma crise financeira. A gente sente o efeito econômico de uma crise de liderança, que por sua vez tem uma gênese um pouco mais profunda, na crise de educação, onde também há uma crise de valores. Então o que se vive hoje é uma crise de valores, e não econômica. O Brasil é um país muito rico, mas quando tudo se torna instável, não é possível identificar os valores das pessoas com quem se interage, e aí começa a retenção que tanto se sente e se fala.

Como foi o início da sua carreira de palestrante?

Eu trabalhava como publicitário e passei uma temporada em São Paulo. Comecei a perceber que fazia as artes, mas que da porta para dentro das empresas o atendimento não correspondia com o que eu vendia. Quando voltei profissionalmente para Mogi, em 2005, logo recebi um convite da Universidade Braz Cubas (UBC) para lecionar, pois havia algumas disciplinas dos cursos de comunicação que estavam represadas por falta de professor.

Aceitei e comecei a perceber algo que depois vim descobrir até cientificamente: a prática da educação do adulto, que é a tal da andragogia. Então eu precisava fazer uma matéria densa e árida como planejamento estratégico ficar interessante para uma turma de mais de 100 alunos, numa sexta-feira, competindo com o bar da frente da faculdade. Não podia ser uma aula, tinha que ser um show.

Então foi na sala de aula que tudo começou?

Sim, ali nascia a essência do palestrante. Não fiz curso de oratória ou qualquer outro. Fui dar aula e tinha o desafio de manter pessoas que estavam cansadas atentas por períodos de três a quatro horas. Logo em seguida comecei a perceber que eu tinha um pouco desta pegada para desenvolvimento humano, e comecei a me preparar, estudar sobre lideranças e atitudes. Boa parte do livro ‘A Revolução Do Pouquinho’ veio de anotações desta época. Inclusive muitas delas foram publicadas em formato de artigo em O Diário.

Como estas anotações se transformavam num livro?

Ao mesmo tempo em que eu tava começando algumas palestras, principalmente na área da comunicação, também estava me desenvolvendo enquanto liderança e profissional, em plena transformação. Tinha consciência dos erros do passado, mas estava dando passos conscientes e depois veio a construção da regularidade. Quando me dei por conta pensei “já tem todo um processo de mudança que é estruturado e pautado em pequena atitude, observação, meta, método, métrica e monitoramento”. Então resolvi compilar tudo. O livro saiu em 2014 e no ano seguinte me vi falando sobre ele no café da manhã da Ana Maria Braga, no programa ‘Mais Você’.

O que é ‘A Revolução do Pouquinho’?

É um processo sustentável de gerenciamento de mudança. A gente tende a encarar a mudança muito mais como um evento do que um processo. Por exemplo, quando chega no dia 31 de dezembro, olha-se para o ano que está por vir e visualiza-se um monte de coisas, que não duram até cinco de janeiro, quando a rotina dá as caras. Então ‘A Revolução do Pouquinho’ ensina como romper esta “zona de inércia”. É um processo que ajuda tanto a lidar com mudanças que se abraça, deseja e planeja, como a carreira, esporte, viagem, família e casa, como mudanças que abraçam as pessoas, como demissões, acidentes, perdas de entes queridos e outras.

A metodologia nasceu como livro, mas se desdobrou em palestra e treinamento também. Como você a define?

Hoje defino ‘A Revolução do Pouquinho’ como uma plataforma de conteúdo e uma metologia de educação organizacional e corporativa. Ela extrapolou o livro pelo feedback que recebi das corporações logo no primeiro ano, quando várias empresas começaram a comprar o livro em volume, direto da editora, para dar aos colaboradores e pedir que lessem. Foi a partir daí que todo o resto surgiu.

Os ensinamentos são aplicáveis para objetivos de todas as dimensões?

Sim, tenho vários testemunhais legais nesse sentido. Há empresas que mudaram a cultura organizacional a partir depois da construção de treinamento que realizamos ali dentro, e ao mesmo tempo teve gente que parou de fumar, que emagreceu, e até quem lidou com o pânico para dirigir.

Então o processo tem a ver com hábitos?

Tem a ver com hábitos sim, e principalmente a consolidação deles, ou seja, a transformação de uma atitude isolada em comportamento. Atitudes isoladas todos nós temos, mas o que vai conferir resultado é a regularidade. O mesmo vale para a desconstrução dos hábitos, pois neurologicamente falando só se livra de um hábito adquirindo outro.

Como funciona o treinamento nas empresas?

Tudo começa com um mapeamento dos valores da organização e os dilemas que ela está vivendo, principalmente as queixas relacionadas ao time que está sendo treinado, normalmente equipes de liderança. Depois, construo uma trilha de atitudes totalmente personalizada para aquele contexto. E não é preciso ler o livro para absorver o conteúdo da palestra ou treinamento.

Existe um tempo médio para este processo?

O tempo é muito relativo, variando de acordo com o objetivo. Uma equipe que não vende, por exemplo, pode ser impactada por uma palestra, mas se o motivo de “não vender” estiver ligado a falta de liderança, hierarquia, objetivos claros e outras questões, se tornará um problema estrutural e precisará ser mais trabalhado.

Por quais motivos sua orientação é procurada?

As empresas buscam resolver principalmente problemas de comunicação interna, como clima e gestão de conflitos, mas há também problemas de liderança, ausência de feedback e resultados e até grupos que buscam revigorar a cultura corporativa a partir de uma leitura clara da missão e valores da organização. Como são muitas áreas, gosto de simplificar dizendo que falo de atitude.

E quem te contrata?

Além de pequenas e médias empresas, grandes corporações, como Tupperware, para quem fiz 10 encontros com lideranças por todo o Brasil em 2018, a Fiat Chrysler, o Bradesco e muitas outras. Na próxima terça-feira estarei com a Leroy Merlin, num fórum com mais de duas mil pessoas, por exemplo.

Existe demanda do setor público?

Sim. Aliás, o setor público enxerga a importância dos treinamentos talvez até com mais regularidade do que empresas privadas. Este ano fechei com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e volto a atuar no Instituto Nacional de Tecnologia (INT). Já trabalhei com o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) e também com governos de estado algumas prefeituras, como as de Caraguatatuba, Campinas, São Paulo e Mogi das Cruzes, onde desenvolvi um trabalho junto a Secretaria de Educação.

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