ARTIGO

Educação

Laerte Silva

A disputa por espaço nas ruas das cidades é algo que de certo modo tira a tranquilidade das pessoas. Já tive oportunidade de escrever sobre isso aqui neste espaço em algumas ocasiões. São carros buscando a preferencial e não respeitando a sinalização de parada obrigatória nos cruzamentos, avanços sobre pedestres tentando atravessar a via, também estes fora das faixas apropriadas, caminhões bloqueando ruas para descarregar, filas duplas nas portas dos colégios, e motos, muitas delas dando de ombros à legislação. Isso sem falar nas irritantes calçadas, quando não tomadas por lixeiras irregulares dos bares, bloqueadas por automóveis em frente aos estabelecimentos comerciais sem fiscalização alguma.

Há tempos deixou de ser impressionante as discussões no trânsito, acontecem por questões banais não somente entre motoristas. Presenciei essa semana uma situação, quando um pedestre para não perder a oportunidade de atravessar, partiu entre os carros parados no semáforo, fora da faixa, e um motoboy ultrapassando os veículos que aguardavam o sinal abrir, em local proibido, xingou o cidadão, advertindo-o para usar a faixa, logo ele, de moto esculachada, placa dobrada e cometendo infração. Aliás, passou a ser trivial motoqueiros reclamando de tudo e todos, mas desrespeitando geral.

Tem muito motoboy trabalhando correta e honestamente, respeitando os demais, mas convenhamos, muitos precisam ser rigidamente fiscalizados pelos abusos. Vivemos tempos em que a correria e os aplicativos dominam, onde os celulares têm mais prioridade que as relações humanas diretas e viraram motivos de acidentes de trânsito. Essa vida frenética impõe um nervosismo gritante.

Diante desse cotidiano todo cuidado é pouco. Brigar no trânsito pode representar prejuízo, agressão física e mesmo vidas perdidas por conta de malucos ao volante e que em nome da pressa não estão nem aí para a educação. O número de acidentes noticiados expressam a engrenagem ruim em que se transformaram várias cidades, caóticas, onde uma simples alteração de mão de direção ou nova sinalização é capaz de alimentar o caos ao contrário de afastá-lo.

É preciso fazer um esforço para manter a calma. Talvez o que falte nesta interação entre pedestres, motoristas e suas máquinas seja exatamente isso, calma e educação para a convivência de tantos e tão diferentes interesses. Se nem tudo no sistema viário foi antecedentemente planejado, ou ainda, se planejado não se pensou no futuro, os atritos são inevitáveis. Transitar plenamente seguro é utopia, mas havendo educação já ajuda bastante.

Laerte Silva é advogado

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