ARTIGO

Educação em xeque

José Francisco Caseiro

ciesp@ciespaltotiete.com.br

São temerosos os reflexos que o recente anúncio de corte nas verbas da educação pode gerar num Brasil que vive um momento de total incerteza na economia e com projeção para baixo dos principais indicadores de crescimento. É sabido que a educação de qualidade é um dos fatores determinantes da competitividade do Brasil, que ocupa as últimas posições nos principais rankings mundiais.

Embora gaste uma importante parcela do PIB (algo em torno de 5% a 6%) na educação, a qualidade insatisfatória do ensino básico e a reduzida oferta de formação técnica e profissional são barreiras para o crescimento da produtividade e da competitividade das empresas.

Quando avaliados, é no ensino superior – atingido diretamente pelo corte de recursos do governo – que o Brasil está mais distante das principais referências mundiais de qualidade. O reflexo disso? Desvantagem na capacidade de inovar. Atualmente, o País ocupa o 64º lugar no ranking mundial. Houve evolução, mas não chegamos nem perto da do Chile, o líder da América Latina. Na 45ª colocação mundial, os chilenos se destacam pelas matrículas no ensino superior.

No seu histórico, a indústria já responde pelo segundo maior percentual de trabalhadores com nível de escolaridade superior completo – são mais de 11% dos empregados (o setor de serviços e administração pública concentra 21%). Na prática, a elevada escolaridade e formação contínua permitem que as equipes apresentem soluções mais eficazes para os problemas, assim como implementem inovações.

Os investimentos no Brasil em pesquisa e inovação são baixíssimos e sem profissionais capacitados para isso, novos materiais e tecnologias deixam de ser desenvolvidos num momento em que o mundo fala em Indústria 4.0. Portanto, há de se ponderar muito os efeitos negativos do corte de verbas da educação, num País que está pagando o preço da corrupção e da falta de uma política econômica eficiente. E não deixar de olhar para exemplos de países como Japão, Coreia e Finlândia, que se reergueram de crises investindo no sistema educacional.

José Francisco Caseiro é diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê