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Eleição municipal também pode apresentar surpresas?

Políticos tradicionais estão preocupados com ‘novidades’ da campanha

As principais lideranças ligadas aos partidos políticos tradicionais na cidade não escondem, em conversas reservadas, a preocupação com a possibilidade de alguma surpresa vir a ocorrer nas eleições municipais do próximo ano. Embora não haja, pelo menos até agora, algo que sinalize tal probabilidade, persiste certo temor de que algo de novo possa surgir no caminho até outubro do próximo ano, capaz de sensibilizar o eleitorado e ameaçar antigas estruturas e grupos que sempre deram as cartas na política local. O exemplo mais citado é o de Jair Bolsonaro, um político conhecido apenas pelos seus exageros ultradireitistas, que mesmo sem pertencer a um partido com alguma tradição e sem tempo de televisão, acabou por se eleger usando apenas uma bem urdida teia de aliados nas redes sociais. E se é certo que o candidato do PSL, que todos juravam que iria “derreter” no horário eleitoral e nos debates, foi beneficiado por um ataque a faca, que o tirou do confronto direto com os adversários, também não se pode negar o grau de convencimento do candidato que soube utilizar muito bem o apelo antipetista que dominava a cena político-eleitoral do final do ano passado. Mas quem poderia ser o “Bolsonaro mogiano”? A resposta ainda não existe; e é impossível, a essa altura, saber se existirá. Independente de qualquer pista, os políticos, digamos, mais tradicionais estão em estado de permanente alerta para detectar a tempo qualquer sinal que possa identificar alguém com características semelhantes ou que possa, de alguma forma, exercer o papel semelhante ao de Bolsonaro na campanha doméstica. Os mais preocupados têm sua atenção fixada fundamentalmente nas redes sociais, pois acreditam que, se alguma surpresa vier, os primeiros sinais terão de ser captados na internet. Um youtuber prefeito de Mogi? A questão parece uma piada ou brincadeira de mau gosto. Mas não é. Ao menos para alguns caciques, espantados com a velocidade com que tudo está acontecendo nos dias atuais. E se alguém com tal perfil surgir, não há dúvida: será o fator de união entre forças que já estiveram juntas no passado, mas que correm o risco de seguirem divididas para a futura disputa, caso a calmaria dos dias de hoje persista até durante a época da campanha. A conferir.

Vigilância

Não há que se duvidar da eficiência da tropa de choque do prefeito Marcus Melo (PSDB) na Câmara. Que o diga o vereador oposicionista Rodrigo Valverde (PT), que tem visto cair por terra, ou melhor, pelo voto, suas tentativas de buscar, via Câmara, informações que possam causar algum incômodo à administração municipal. Valverde é recordista em requerimentos rejeitados no Legislativo. Sobre assuntos que vão desde IPTU, devedores de ISS, empreendimentos imobiliários, ITR e cargos em secretarias. Nada passou.

Candidatura

Nos meios políticos locais, um novo nome começou a ser citado como provável concorrente à Prefeitura nas eleições do próximo ano. Há quem diga que Mara Bertaiolli, mulher do deputado federal Marco Bertaiolli (PSD), possa estar sendo preparada para concorrer. Mara ficou conhecida pelo seu trabalho à frente do Fundo Social nos oito anos de mandato do marido e continua liderando um grupo de voluntárias que atua junto ao Hospital de Braz Cubas. Tudo, no entanto, vai depender do andamento dos entendimentos e das pesquisas de opinião, cada mais em alta na cidade.

Pesquisas

As pesquisas eleitorais e informais, por sinal, continuam sendo feitas e os resultados fechados a sete chaves pelos detentores de suas informações. Para o público externo, é adotada a célebre Lei Rubens Ricupero, ou seja: “O que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”. A frase foi cunhada pelo ministro Rubens Ricupero, do governo Collor que, numa conversa informal com Carlos Monforte, da TV Globo, disse a frase que acabou vazando de um canal privativo da Embratel e se tornou conhecida em todo o País.

Imóveis

O deputado federal Roberto de Lucena (PODE-SP) está defendendo a venda de imóveis pertencentes ao INSS e ao Regime Geral da Previdência Social, atualmente administrados pela Secretaria de Patrimônio da União, do governo federal. Segundo dados obtidos por ele, há 50.814 imóveis, cujos valores somavam R$ 654 bilhões, no final do ano passado. Lucena quer que a venda ajude a cobrir o rombo previdenciário.  “Precisaríamos colocar essa extraordinária carteira no mercado de títulos imobiliários”, sugeriu Lucena, que se mostra favorável à reforma da Previdência, mas “com ajustes”.

Frase

Sincretismo religioso é quando um padre não passa debaixo de uma escada.

Ivan Lessa (1935-2012), jornalista e escritor brasileiro