EDITORIAL

Eleições municipais

O adiamento das eleições municipais de outubro para novembro dará um pouco mais de tempo para as atenções de voltarem ao processo de escolha dos futuros prefeito e vereadores. A campanha deste ano será fortemente afetada por diversos aspectos da pandemia da Covid-19.

Em meio a tudo o que estamos vivendo, colocar as eleições no foco da opinião pública é uma necessidade. Aliás, o enfrentamento ao coronavírus elevou o grau da responsabilidade de bons gestores.

Até agora, por força dessa excepcional situação, não se sabe, com certeza, quem serão os candidatos a prefeito.

Isso levanta pontos preocupantes. Praticamente, os temas locais foram esquecidos. E houve ainda uma notória ruptura na apresentação de novos nomes e propostas para a política. Esse conjunto de coisas pode empobrecer o cartel de candidatos e, por consequência, a composição dos poderes Legislativo e Executivo.

Outro risco é a limitação das representações plurais, que enriquecem jogo político. A alternância do poder tende a calibrar conquistas municipais.

Já se mira, inclusive, o retrocesso no que vinha sendo sentido com o surgimento de movimentos ligados a parcelas populacionais com pouca representatividade como mulheres, jovens, estudantes, negros e outros, e também a força das comunidades de bairros e distritos.

Muitos dos pré-candidatos poderão ficar pelo caminho não apenas pelo fator econômico, mas principalmente com a redução do tempo para a exposição de ideias, projetos e promessas.

Eleição municipal é decidida, em grande parte, pelo diálogo pessoal e as promessas feitas a vizinhos, amigos, conhecidos. Para isso, o contato presencial sempre foi decisivo. E, sem essa possibilidade, por causa do isolamento social ainda vigor, as eleições podem reservar muitas ‘caixinhas’ de surpresas.

A responsabilidade maior continuará sendo a do eleitor. Caberá a ele, valorizar essas quatro semanas a mais consentidas com o adiamento das eleições para conhecer os candidatos e suas plataformas de ação.

Das escolhas do eleitor e da capacidade das lideranças políticas em promover, mesmo na pandemia, uma campanha de nível e de qualidade ajustes desse processo democrático às condições atuais, virá a definição sobre algo maior: como a cidade sairá deste ano para enfrentar as dificuldades que virão em 2021.


Deixe seu comentário