ARTIGO

Eleições precisam apresentar surpresas

Paulo Santos

Há um movimento recorrente das forças políticas que vem comandando a cidade de Mogi das Cruzes de contrariedade ao surgimento de novas lideranças, sob o falso pretexto de que seriam lideranças “aventureiras”, e que os vários grupos políticos da cidade deveriam se unir com o objetivo declarado de impedir que tais lideranças pudessem vir a ascender politicamente na cidade.

Esses grupos políticos funcionam nos moldes do “coronelismo” nordestino, tratando a cidade como se fosse seu quintal particular e definindo dentre seus familiares e agregados os próximos ocupantes de todos os cargos públicos da cidade, como se competência, profissionalismo, experiência e motivação político-gerencial devessem ser relegadas a um segundo ou terceiro plano.

As forças políticas que tem se revezado na Prefeitura e na Câmara de Mogi se esquecem, porém, que estamos numa democracia, na qual qualquer brasileiro alfabetizado, em pleno exercício de seus direitos políticos, regularizado perante a justiça eleitoral e com a idade mínima exigida tem o direito de concorrer a cargos eletivos, inclusive à prefeitura. Tratar essa dinâmica de renovação própria dos regimes democráticos como algo anormal é próprio de forças retrógradas e antidemocráticas, cujo modelo de governar já foi testado durante décadas e para muitos, desaprovado, devendo dar lugar a outro.

No que tange a influência das redes sociais nas eleições, não há qualquer comprovação de que as bases eleitorais coronelistas formadas pelo compadrio, pela negociação de cargos, contratos de obras públicas ou suspeita de compra de votos sejam melhores do que as formadas nas redes sociais.

O Poder Público da cidade deve servir aos seus quase 500 mil habitantes pagadores de impostos, não a uma dezena de interesses às vezes inconfessáveis de lideranças já ultrapassadas. Que venham novas lideranças que oxigenem a gestão pública de Mogi das Cruzes!

Paulo Santos é mestre em Administração Pública pela Universidade de Columbia, Nova Iorque.