DIA DA INDÚSTRIA

Em meio à crise, empresas de Mogi das Cruzes anunciam ampliação

BOA NOVA A Valtra fez 30 contratações e deve abrir novas vagas. (Foto: arquivo)

O Dia da Indústria será celebrado nesta segunda-feira (25) em um ambiente de reflexão sobre o cenário econômico em meio a uma pandemia que, no Brasil, ainda está com a atenção voltada para a saúde, visto as centenas de mortes registradas diariamente pela Covid-19. O Diário ouviu o economista e diretor da Secretaria de Desenvolvimento Social e Econômico de Mogi das Cruzes, Claudio Costa, que destaca a boa performance de algumas empresas da cidade, como a Valtra e a Gerdau, e faz uma análise do setor em nível nacional.

PROJEÇÃO O economista Claudio Costa aposta na retomada em três meses. (Foto: Eisner Soares)

“A Valtra contratou 30 pessoas e deve anunciar mais contratações. O prefeito (Marcus Melo) fez um trabalho muito forte para manter a empresa na cidade. Então ela não só se manteve, mas trouxe a produção de pulverizador e cortador de cana para a planta daqui, com investimento de mais de R$ 20 milhões. A Gerdau teve uma pequena melhora, mas vem agora com um investimento na área de logística”, destaca.

Ele ressalta que o pós-pandemia não vai ser fácil para ninguém, mas que a administração municipal busca alternativas para que a cidade use esse momento para pensar em uma retomada. A expectativa é de que as atividades retomem integralmente em três meses.

BOA NOVA A Valtra fez 30 contratações e deve abrir novas vagas. (Foto: arquivo)

“Mas a gente tem alguns pontos a melhorar. Mogi das Cruzes cresceu o PIB de 2010 a 2017 54%, e a renda per capita neste período cresceu 37%. Isso significa que os salários foram achatados em Mogi.  Isso ocorre porque 75% da população em Mogi trabalha no comércio e em serviços, mas quem remunera melhor é a indústria, só que ela representa apenas 17% dos empregos”, pontua.

Costa diz que uma das apostas da cidade está na vinda da Mahindra, fabricante de tratores, que estava para anunciar Mogi para a sua planta no Brasil, mas precisou suspender, devido a pandemia.

O economista e diretor vê nas alterações cambiais e na desoneração da folha de pagamento algumas alternativas para auxiliar na retomada das empresas, mas pontua que tudo depende da desenvoltura do governo federal, para fazer investimentos e apresentar um Brasil que venceu a pandemia a investidores internacionais.

 Costa lembra que ainda que se os decretos permitissem o funcionamento da indústria durante a pandemia, ela é afetada diretamente quando há diminuição de consumos e serviços. Como, por exemplo, ao passo que os setores alimentícios e de celulose se mantiveram nesse período, dado a necessidade de seus produtos, a de autopeças, que é forte na cidade, recuou, porque mais de 180 mil veículos foram devolvidos às locadoras, que são as que mais movimentam o mercado, e, por conta disso, suspenderam novas compras para este ano.

“Por outro lado, a gente tem que avaliar que houve uma desvalorização cambial muito grande, e tem as empresas que captam recursos lá fora. A indústria, de maneira geral, gera um prejuízo de mais de R$ 21 bilhões com a desvalorização. Por outro lado, com os R$ 300 bilhões em reservas cambiais, o país teve uma melhora de R$ 500 bilhões”, destaca.

Para Costa, a pandemia em 2020 vem para fechar a pior década da história da indústria no Brasil. O principal fator, aponta, é porque o país se acomodou em exportar commodities, e deixou de lado a indústria de transformação, em pleno cenário em que o mundo vive a transformação das grandes fábricas para o 4.0, que apesar de exigir novos investimentos, consegue entregar preço mais concorrente no mercado, e assim o Brasil ainda engatinha.

“Nós precisamos resolver a questão da pandemia para cuidar da economia. Seria muito mais fácil se a gente paralisasse as atividades por um tempo, para parar o nível de contaminação mais rápido e poder voltar. Mas agora que o mundo está voltando e seria uma oportunidade de retomada, a gente não consegue funcionar”, pontua.

Uma das alternativas para o setor, segundo Cláudio, é um pacote econômico para desonerar as folhas de pagamento pelos próximos dois anos, que vai diminuir o custo de mão de obra, sem afetar os salários.


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