CULTURA

Em novo álbum, cantor Ocre apresenta “canções que vêm da alma”

SEM FILTRO Aficionado pela cor amarela, Ocre apresenta uma espécie de diário em áudio, com vários pensamentos que lhe ocorrem. (Foto: divulgação)
SEM FILTRO Aficionado pela cor amarela, Ocre apresenta uma espécie de diário em áudio, com vários pensamentos que lhe ocorrem. (Foto: divulgação)

Canções livres e descoladas, com mensagens rápidas, profundas, diretas. Letras inspiradas nas palavras que o “cosmo” – nome dado à voz da consciência do autor – sugere, sem filtro. Nas palavras do cantor, o Ocre, que mora em Mogi há 10 anos, é “como se fosse o que a alma falou”.

Outra definição dada por Celso Júnior, que prefere ser chamado de Ocre, é que o primeiro disco dele, ‘Cosmifalô’ (gravado pelo Estúdio Municipal de Áudio e Música – Emam) pode ser encarado como “uma espécie de diário em áudio, um diário.mp3”. Isso fica claro ao ouvir as faixas, que além de misturar estilos, como rap, eletrônico e pop, soam como um retrato íntimo e pessoal.

Em uma das músicas, ‘Qualia’, os versos retratam o espírito jovem do artista: “Minha mente prega peça em mim o tempo todo / Mas eu não vim aqui jogar esse jogo duro / Eu vim pagar as contas da minha alma velha / Vim somar uns pontos, acender uma vela / Cantar para dissolver o mal que ronda minha vida / Eu vim para cantar, viver minha vida sem saber o que vai dar, vim para sonhar”.

De acordo com Ocre, que tem 28 anos e é natural de Santo André, no ABC paulista, as rimas são feitas a partir de “vários pensamentos e metáforas” que ele mesmo vai “pirando e jogando”. “É esse lance de não deixar nenhuma mensagem ficar no ar, jogando e passando por todas elas, seja qual for: a inspiração de uma noite ou algo para falar mesmo, uma ferida para cutucar”, explica.

O nome artístico Ocre vem de uma “pira” que Celso tem com a cor amarela, que define como “vibrante”. Sendo assim, todo o material promocional do álbum ‘Cosmifalô’ é retratado nesta cor, assim como boa parte das fotos do cantor.

Primeiro trabalho solo dele, o disco que simula conversas com a consciência é recheado de referências, porque seu autor já tocou em bandas variadas. Dentre as linguagens que fazem parte do repertório de Ocre estão hardcore, punk rock, rap, ragga e raggae. Inspirações são Green Day, Offspring, Drake, Twenty one Pillots, Gorillaz e outras bandas, como “as brisas de hoje em dia”.

De fala leve e feliz, o artista diz que “a parada é meio um liquidificador de sons”, e nasceu na própria casa dele, onde mantém um home studio. Ou seja, além de compor as letras e cantá-las, o rapaz que vive em Mogi é também o próprio produtor.

“Não sei explicar meu som. Quando alguém me pergunta, acabo colocando como alternativo, mas para falar a verdade ele passa por muitas coisas, como uma grande salada. Acho melhor tratar como música, simplesmente”, diz ele.

Envolvido com som “desde moleque”, incentivado pelo pai, que também é músico, Ocre atua como produtor também para outros artistas, e ainda pinta quadros e é tatuador. Com visão ampla do cenário artístico, ele acredita que seja difícil o acesso das pessoas a materiais autorais como os sussurrados por seu “cosmo”.

“A gente acaba vendo e ouvindo o que tá estourando, e isso acaba chamando outras coisas parecidas, num círculo vicioso onde só se consome o mesmo tipo de coisa, ficando na superfície. Isso não quer dizer que não tem coisas muito diferentes, misturas muito mais doidas até dos que a que eu fiz”, enxerga ele, que sugere a busca em plataformas como o Soundcloud por aquilo o “que rola no underground e não tá na moda”.

Ocre teria um show durante o 7º Festival de Verão de Mogi das Cruzes, realizado entre janeiro e fevereiro últimos, porém a apresentação foi cancelada. Mas, como sugere a ousadia da faixa ‘Cosmo’, que mescla estrofes em português com trechos em inglês e ainda conta com uma mensagem recitada no meio, ele pretende ir longe e quer “mostrar o que tem para oferecer”.

Por isso, em breve serão disponibilizados nas redes sociais oficiais @ocre_ os clipes das faixas de ‘Cosmifalô’, já disponíveis em áudio no Spotify, iTunes e Deezer. Logo também devem ser anunciados novos eventos e apresentações na cidade.


Deixe seu comentário