EXPERIÊNCIA

Em palestra do Fórum de Empreendedorismo, Murilo Reggiani conta sua trajetória de sucesso

O PALESTRANTE Plateia do Fórum ouviu atentamente a história inspiradora de Murilo Reggiani. (Foto: divulgação - Ney Sarmento - PMMC)
O PALESTRANTE Plateia do Fórum ouviu atentamente a história inspiradora de Murilo Reggiani. (Foto: divulgação)

Ter um carro é o sonho de muitos jovens, mas que geralmente se concretiza só na vida adulta, com a independência financeira. Para o empreendedor mogiano Murilo Reggiani essa etapa foi vencida antes de ter até mesmo a permissão para dirigir, graças à venda de pão de mel na escola. Mais tarde, após quase “quebrar” com uma loja de discos, ele se tornaria o dono da marca mais vendida de cosmético no país, a Vult. No ano passado, a empresa foi comprada pelo grupo O Boticário.

Esse caminho para o sucesso, sobretudo com a importância de entender e aceitar os momentos de uma empresa, foi compartilhado na manhã desta terça-feira (26), durante palestra de Reggiani na Escola de Empreendedorismo e Inovação de Mogi, que recebeu o Fórum de Empreendedorismo, com o tema ‘O Desafio de Inovar’.

Reggiani começou a fala lembrando que foi exatamente naquele prédio que ele estudou em Mogi, onde funcionou no passado o colégio São Marcos. Também naquela rua, aos 16 anos, ele montou uma loja de discos, a Music Arte. Com a ajuda de parceiros, também já promovia shows na região com nomes de peso no cenário nacional, entre eles Mamonas Assassinas, Cidade Negra, Paralamas do Sucesso, Angra, entre outros, para dar publicidade à loja. “Ela deu certo, me deu uma estabilidade, mas a transformação digital trouxe o CD, e foi então que ela parou de ser interessante e eu fechei antes de quebrar”, destacou.

Antes disso, no colegial começou a vender pão de mel para pagar a formatura na escola Anglo, mas a comissão de pais resolveu que iria pagar o valor, ele conseguiu então a liberação da escola para continuar comercializando o doce. Chegou à marca de 200 unidades vendidas por dia. O quitute era comprado de uma empresa da cidade, que vendia para a antiga Vasp. Nessa época, eu tinha uma renda de pessoa que já trabalhava por horas e horas no mercado de trabalho”, relembra

Reggiani conta que, antes disso, aos 13 e 14 anos, da frustração de não conseguir surfar nasceu uma amizade com surfistas do Guarujá que fabricavam as suas próprias pranchas. Logo ele estava comprando os objetos no litoral e fornecendo para as lojas do ramo em Mogi.

Mas o maior sucesso do empreendedor veio no começo dos anos 2000, quando se uniu à arquiteta Daniela Cruz e fundaram a Vult. “Eu brinco que foi uma grande indústria de dois quartos, sala, cozinha e um exército de três funcionários: eu, minha sócia e um químico. Depois se tornou a líder de mercado, a que mais vendia cosmético no varejo no mercado brasileiro.

Há um ano e meio, Reggiani se viu decidido a vendê-la, porque ela precisava crescer mais e estava sendo assediada por grandes nomes do mercado, inclusive internacional. Mas foi em uma conversa com o dono de O Boticário nos Estados Unidos, um ano antes de fechar negócio, que o empreendedor recebeu a proposta. À época, relembra Reggiano, o grande empresário dos cosméticos no Brasil disse que sabia que a Vult era rondada por outros nomes, mas que se Reggiani estivesse a fim de fechar negócio, que o fizesse com uma empresa brasileira.

“Passado um ano, a gente decidiu que era o melhor a ser feito: passar a empresa para um nome que pudesse leva a Vult a voar voos mais altos do que eu talvez conseguisse oferecer se estivesse tocando. Você tem que saber a hora de começar e também de vender. Você não pode inibir o crescimento, porque tem milhares de pessoas que dependem dela. E a gente teve a felicidade de ver a Vult se unir a um dos maiores nomes da beleza do país”, destaca.

Olhando para toda a trajetória no mundo dos negócios, Reggiani afirma que o sucesso é consequência do trabalho, e para dar certo é necessário trabalhar com aquilo que se gosta. “Muita gente busca um trabalho focado no salário que uma carreira prospecta. Eu acho que se você for ser apaixonado por aquilo que você faz, vai dar certo. Temos um exemplo claro aqui em Mogi de um mecânico que ficou dono da maior frota de caminhões do Brasil [Julio Simões]”, ressaltou.

Empreender exige garra, resistência e persistência

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Social, Clodoaldo de Moraes, comentou na manhã de ontem que o Fórum de Empreendedorismo e Inovação foi uma opção para que as pessoas saibam que empreender requer resistência, garra, e que nem sempre o resultado vai vir dentro do prazo esperado, mas que a persistência leva ao sucesso.

“Esse tipo de incentivo é importante. Para você ver no Polo Digital, as startups ficam encubadas um ano, período em que a gente consegue medir se elas vão ter sucesso ou não. Lá elas aprendem que você não abre um negócio hoje e amanhã já tem um lucro. As pessoas precisam ser persistentes, mesmo”, pontuou.

Hoje a cidade recebe a carreta Empreenda Rápido, do Sebrae-SP, das 10h às 16h, no parque Botyra Camorim Gatti. O evento contará com um mutirão de serviços ao empreendedor, como as linhas de crédito do Banco do Povo em até 48 anos, além de palestras voltadas à gestão de negócios, abertura de empresa e relacionamento com o cliente. A inscrição para participar pode ser feita na hora.
Já na sexta-feira, a cidade realiza o Fórum de Desenvolvimento Econômico, das 8h30 às 12h30, no Club Med Like Paradise, em Jundiapeba.

Na ocasião, devem palestrar Patricia Elen da Silva, secretária de estado de Desenvolvimento Econômico, Geanluca Lorenzon, diretor de Desburocratização do Ministério da Economia, e Adriano Barros, vice-presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores.

O evento tem por objetivo promover o desenvolvimento de parcerias e negócios, a fim de gerar oportunidades de trabalho e negócios, além de parcerias, apresentando aos participantes o que há de novo nas tendências do mercado e da economia.


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