VIOLÊNCIA

Em seis dias, o trânsito mogiano registra nove mortes

RISCO Na Via Perimetral, entre os trechos que registram acidentes estão os do córrego do Gregório e da avenida Álvaro de Campos Carneiro. (Fptp: Eisner Soares)

Do dia 24 de maio até o último dia primeiro, Mogi das Cruzes registrou ao menos quatro acidentes fatais de trânsito, resultando em nove óbitos. O primeiro deles aconteceu na Estrada Municipal Fujitaro Nagao, no Cocuera, e deixou cinco mortos. O mais recente, com uma vítima fatal, ocorreu na avenida Prefeito Carlos Ferreira Lopes, no Mogilar. Nos dois casos, o uso de bebida alcoólica estaria ligada aos acontecimentos.

No Nagao, as consequências foram catastróficas (veja a matéria). Um veículo de passeio – onde o único sobrevivente afirmou que o motorista estava embriagado – bateu de frente com uma caminhonete que estava ocupada por dois homens, duas mulheres e quatro crianças, sendo que um bebê de quatro meses faleceu. Do outro carro, morreram as outras quatro pessoas.

Os dados oficiais relativos a maio ainda não foram divulgados pelo Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo (Infosiga), que tradicionalmente revela os números no dia 19 do mês seguinte. Entretanto, em uma comparação com o ano passado, somente este episódio registrou 5 vezes mais vítimas fatais do que todo maio de 2019, segundo o sistema que apontou apenas uma morte.

Ainda em maio, na madrugada do dia 30, dois homens, de 31 e 43 anos, morreram na avenida Doutor Álvaro de Campos Carneiro (Via Perimetral), no bairro Parque Olímpico. O veículo se chocou em uma árvore e duas testemunhas em outro carro afirmaram à Polícia Civil que haviam bebido cerveja com as duas vítimas, momentos antes do ocorrido.

Na noite do último dia 31, um carro caiu dentro do Córrego dos Canudos, na Avenida Júlio Simões, deixando um morto e outras quatro pessoas feridas. Já neste mês, na madruga de segunda-feira, um veículo se chocou contra um poste e mais um óbito foi registrado, desta vez na avenida Prefeito Carlos Ferreira Lopes, no Mogilar. Além do motorista, que está preso, outra pessoa estava na parte da frente e, junto à vítima, mais três pessoas ocupavam a traseira do carro.

Infosiga

Os dados do Sistema Estadual mostram que durante três meses do ano, um total de 14 mortes no trânsito foram registradas na cidade. Janeiro e abril tiveram cinco óbitos em acidentes, enquanto fevereiro apresentou outros quatro. Março não teve mortes este ano, enquanto duas aconteceram no mesmo mês de 2019.

No ano passado, janeiro teve números elevados e com 13 óbitos no trânsito foi o pior mês no município. Fevereiro teve oito falecimentos e março e abril outros dois em cada um deles. Durante todo 2019, 63 pessoas perderam a vida em acidentes de carro. Destas, 23 eram pedestres.

Casos aumentam após início da quarentena

Com os nove óbitos registrados no trânsito de Mogi das Cruzes nos últimos dias, a Secretaria Municipal de Transportes afirmou lamentar as ocorrências e aproveitou para lembrar da importância do respeito à legislação e à sinalização de trânsito, principalmente no que se refere aos limites de velocidade e não ingestão de bebidas alcoólicas antes de dirigir. Os cuidados são ainda mais importantes neste período de restrição social, em que as vias estão naturalmente com menor movimento.

A SMT garantiu que vem realizando um trabalho integrado nas vias municipais, que estão sob jurisdição da Prefeitura, com trabalhos de sinalização, fiscalização, educação para o trânsito e engenharia de tráfego. Frisou ainda que mesmo durante este período de restrição e isolamento social, as intervenções voltadas à segurança viária não foram interrompidas.

Os trabalhos de manutenção das sinalizações horizontal e vertical continuam sendo feitos, assim como a fiscalização e orientação com os agentes municipais de trânsito e o funcionamento dos equipamentos fixos de fiscalização eletrônica.

Segundo a pasta, os trabalhos vem apresentando resultados. No acumulado dos primeiros quatro meses deste ano, houve uma diminuição de 50% no número de mortes em vias municipais e de 53,33% no número de acidentes fatais. Quando verificados os números de todo o município (vias municipais e estaduais), também há uma queda nos índices. O número de óbitos diminuiu 44% e o número de acidentes fatais caiu 50%.

Os registros divulgados pelo Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo (Infosiga) realmente apresentam uma melhora nos dados dos quatro primeiros meses do ano em Mogi. Abril foi o único mês que apresentou piora, com duas mortes no ano passado e cinco desta vez.

Já em janeiro, o número caiu de 13 em 2019 para cinco em 2018. Fevereiro teve oito óbitos no ano passado, enquanto este ano teve quatro. Março, que desta vez não teve mortes, teve duas vítimas fatais no ano anterior.

Lei Seca tem multa pesada para infrator

Em vigor há quase 12 anos, a Lei Seca é conhecida pela “Tolerância Zero”. Isso significa que não existe qualquer quantidade de bebida alcoólica aceitável pela legislação, nem mesmo uma ou duas latinhas de cerveja. O álcool reduz os reflexos e a capacidade de reação do condutor dirigir exige máxima atenção. A embriaguez é motivo de diversos acidentes de trânsito e, por isso, não é possível “burlar” o bafômetro quando abordado em uma blitz.

Não é possível também tentar inventar desculpas, como a ingestão de bombons com licor ou o uso de antisséptico bucal após a refeição. O aparelho mede o álcool ingerido que passou para a circulação sanguínea e para o sistema respiratório. Nesses casos, pela baixa concentração alcoólica nesses produtos, o álcool fica presente apenas na mucosa bucal e some rapidamente.

A multa aplicada a quem é flagrado dirigindo alcoolizado é de R$ 2.934,70, uma das mais caras previstas pelo Código de Trânsito Brasileiro. Caso o motorista apresente índice a partir de 0,34 miligramas de álcool por litro de ar expelido no teste, automaticamente comete crime de trânsito, mesmo que não tenha se envolvido em acidente. Além disso, o condutor multado por alcoolemia tem a CNH suspensa pelo período de 12 meses.

Em Biritiba

Na região, a Prefeitura de Biritiba Mirim tentou reduzir o consumo de álcool no município durante o mês de maio, com a publicação de um decreto que proibia a venda e o consumo de bebidas em estabelecimentos. A medida visou reduzir a aglomeração de pessoas para combater a contaminação pelo coronavírus.


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