Empresas do Taboão pedem acesso à Ayrton Senna

Empresários avaliam que a falta de infraestrutura é a principal dificuldade para garantir crescimento das empresas. (Foto: Eisner Soares)
Empresários avaliam que a falta de infraestrutura é a principal dificuldade para garantir crescimento das empresas. (Foto: Eisner Soares)

DANILO SANS
O Distrito Industrial de Taboão está localizado ao lado de uma das principais rodovias do Estado de São Paulo, a Ayrton Senna. A logística não poderia ser melhor, se não fosse a dificuldade de acesso enfrentada pelas empresas, já que a única interligação disponível não foi dimensionada para o entra-e-sai diário de caminhões. A Associação Gestora do Taboão (Agestab) diz que a falta de infraestrutura é a principal dificuldade enfrentada pelos empresários e tem travado o desenvolvimento do maior polo industrial da Cidade.

O presidente da Agestab, Osvaldo Baradel, diz que a construção de um acesso entre a Ayrton Senna e o Taboão é a principal necessidade das indústrias instaladas na região. “Isso facilitaria o transporte de cargas, o escoamento da produção, a chegada de matéria-prima”, diz, acrescentando que há empresas de transportes que se negam a entregar material em função das más condições de acesso.

Para chegar às indústrias, é preciso passar pela Estrada do Taboão, acesso que ficou interditado no último dia 9 de janeiro, após um temporal. Carros e caminhões tiveram de esperar a água baixar. “Ficamos ilhados. Só temos uma via de acesso, que não suportou a chuva”, observa.

Quem segue pela Ayrton Senna em direção a São José dos Campos pode observar que, depois da fábrica da GM, existem diversas indústrias instaladas às margens da rodovia. Seis quilômetros (km) após a interligação com a Mogi-Dutra, ficaria o acesso ao Taboão projetado pelos industriários, no km 51.

“O Taboão é muito bem localizado e, por isso, a gente sempre recebe visitas de empresários interessados. Assim como aconteceu comigo, quando comprei uma área aqui, quem passa pelo km 51 da Ayrton Senna e vê as indústrias imagina que a região é espetacular. Ela tem uma visibilidade muito boa. O pessoal procura, mas quando vê que só existe um acesso, acaba desistindo”, relata. Baradel diz ainda que só a desistência da fabricante de motores Cummins – pela falta de infraestrutura – significou 3 mil postos de trabalho não criados.

No km 51 já existe um retorno operacional para quem precisa mudar de direção. A estrutura, segundo Baradel, poderia ser aproveitada para a criação do acesso ao Taboão. Para isso, diz, seria necessário ampliar as alças, implantar uma pista de aceleração e outra de desaceleração. “Parte da estrutura já existe. Sei que não é um projeto simples, mas beneficiaria muita gente – não apenas as empresas”, avalia.

O empresário diz que precisa trafegar cerca de 15 quilômetros pela Estrada do Taboão para chegar à indústria. A via ainda possui trechos sem pavimentação.

A Agestab aposta na forma política da Frente Parlamentar para o Desenvolvimento do Distrito Industrial do Taboão, criada em agosto de 2015, para debater temas de interesse da região. O grupo é formado por deputados estaduais com atuação no Alto Tietê.

O deputado Gondim Teixeira (SD), integrante da Frente Parlamentar, diz que conversou pessoalmente com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), no último dia 27 de dezembro, sobre a situação do Taboão. “Ele me prometeu que nos receberia para debater esse assunto”, ressalta. Até o final deste mês, a Frente Parlamentar também deve se reunir com representante da Casa Civil, da Desenvolvimento Rodoviário (Dersa), do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e da Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) para debater a solução para o trecho.

A ideia da Frente Parlamentar é cobrar a construção de um acesso semelhante ao que a Toyota instalou próximo à Rodovia Castelo Branco. “A empresa conseguiu fazer um viaduto, passando por cima da Rodovia, que é uma via expressa como a Ayrton Senna”, revela Gondim.

Segundo o deputado Marcos Damasio (PR), a Frente Parlamentar pede melhorias nas vias de terra, como cascalhamento e pavimentação, e o Código de Endereçamento Postal (CEP), além de conversar com os comandantes da Polícia Militar para que a segurança seja reforçada no local e, paralelamente, solicita mais iluminação e melhor estudo das linhas que atendem o local. “Estamos discutindo a implantação do acesso à Ayrton Senna com a Artesp, que estuda uma forma de tirar isso do papel. Nos próximos dias, teremos outro encontro no órgão. Assim que houver uma sinalização positiva e a estimativa de custo, vamos verificar como podemos conseguir os recursos”, disse Damasio, completando que aguarda uma agenda com o governador a fim de pedir recursos para obras importantes, como o próprio acesso à Ayrton Senna, e a pavimentação na Estrada Yoneji Nakamura, assim como a celeridade na licitação da duplicação da Mogi-Dutra, entre o trevo de acesso à Ayrton Senna e Arujá.

Em nota, a Ecopistas, responsável pela administração da Ayrton Senna, diz que para que o pedido seja analisado, é necessária a requisição formal da obra junto à concessionária, incluindo projeto e estudos de viabilidade, para posterior análise da Arte sp, órgão responsável pela aprovação ou não do acesso.

Já o DER afirma que não tem participação na discussão, já que a Ayrton Senna é uma via sob concessão.

Empregos

O Parque Industrial do Taboão possui cerca de 50 empresas instaladas, sendo 40 delas participantes da Associação Gestora do Distrito Industrial do Taboão (Agestab), com geração de cerca de 4 mil postos de trabalho. Atuam lá indústrias como a GM, Gerdau, Cimentos Tupi, além de autopeças, cooperativa de flores, metalúrgicas, entre outras.

Com a infraestrutura adequada, esses números poderiam ser triplicados, segundo avalia o presidente da Agestab, Osvaldo Baradel. “Temos aqui 11 milhões de metros quadrados, mas apenas 30% estão ocupados. Há muito espaço, muita área à venda. O Taboão é um polo gigantesco, com potencial enorme de geração de empregos, recursos, impostos. O que falta é um pouco de vontade de política”, avalia.

A localização estratégica é o principal atrativo da área. Localizada ao lado de uma das principais rodovias do Estado de São Paulo, a Ayrton Senna, e com uma ferrovia cortando seu território, o Parque Industrial do Taboão possibilita o transporte intermodal de qualquer tipo de carga.

Na região, ainda está instalado o Terminal Intermodal de Carga Tinaga, que atua no transporte de minério de ferro, carvão mineral e contêineres com os mais variados produtos.

Além dos atrativos imediatos, o Taboão também está a 30 quilômetros do Aeroporto de Guarulhos, a 100 km do Porto de Santos, com ligação direta entre os principais polos de negócio do eixo São Paulo-Rio de Janeiro.

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