EDITORIAL

Enfim, obras

Após uma longa e mal explicada demora, o consórcio formado pelas empreiteiras Construcap e Copasa finalmente deu início, ainda que timidamente, às obras de preparação para a duplicação do trecho final de sete quilômetros da ligação rodoviária Mogi das Cruzes-Via Dutra, localizado entre a Rodovia Ayrton Senna, na região do Bairro do Taboão, em Mogi, e o trevo de acesso à Rodovia Presidente Dutra, em Arujá.

O trabalho que deveria ter começado em janeiro deste ano para estar concluído e entregue em dois anos, só teve início depois que o atual governador e candidato à reeleição, Márcio França (PSB), esteve visitando a Cidade, em campanha, e foi literalmente bombardeado com perguntas sobre o malfadado atraso no início das obras, anunciado pelo seu antecessor, Geraldo Alckmin (PSDB), antes de deixar o comando do Governo do Estado de São Paulo para se candidatar a presidente da República. França se fez de desentendido sobre os motivos de tal atraso, mas garantiu perante todos os microfones, repórteres e políticos à sua frente que os serviços de duplicação seriam iniciados, a todo vapor, no próximo dia 10 deste mês. A julgar pelo que mostrou este jornal, em sua edição de ontem, o consórcio decidiu antecipar ao prazo determinado pelo governador e deu início às obras, ainda que com poucos tratores, caminhões e trabalhadores braçais.

A expectativa, a partir da notícia, é que a duplicação comece para valer já na próxima semana e que a atual investida não seja apenas uma ação política em função das próximas eleições.

Este jornal dá um voto de confiança à palavra do atual governador. Mas, ao mesmo tempo, não pode se esquecer do que já aconteceu desde que o governo estadual decidiu concluir a duplicação do trecho final da estrada, a partir do término da primeira fase, em 2005.

O que se viu, durante estes últimos 13 anos, foi um verdadeiro festival de promessas não cumpridas e explicações difíceis de serem absorvidas pela população de Mogi e Região, para quem a duplicação dos sete quilômetros finais da rodovia tem fundamental importância logística e econômica. Entre idas e vindas de licitações mal ajambradas, finalmente a obra teve seu lançamento feito no final da administração de Alckmin. Mas quando se esperava que os prazos fossem finalmente obedecidos, eis que novos e inesperados empecilhos apareceram. Faltavam levantamentos topográficos, licenças ambientais e até, imaginem só, desapropriações de áreas.

Pelo visto agora, etapas já foram vencidas, o que renova as esperanças de que, enfim, as obras sairão realmente do papel. É para isso que torcem os mogianos e seus vizinhos. E também que não venham a ter novas decepções no futuro.