ARTIGO

Entalado com o ato

Gê Moraes

gedemoraes@bol.com.br

Venha comigo, vamos dar um gostoso mergulho ao fundo da História desta nossa pátria amada. Como se sabe, o primeiro Imperador do Brasil era um homem bastante chegado a extravagâncias. Uma delas: mantinha um batalhão de granadeiros alemães composto de mercenários recrutados entre os piores que havia nas províncias da Prússia.

O tal batalhão tinha no seu comando o inepto e etílico major Von Ewald, que num dia de setembro de 1825, conheceu no bairro de Botafogo uma mulher chamada Gertrudes e, houve por bem fazer-lhe a corte. Mas ocorre que ela não estava muito a fim. Em virtude disso, sabe o que ele fez para chamar sua atenção? Não! Pelado não ficou. O que fez, então? Todas as manhãs colocava seu batalhão a desfilar diante da casa dela,

E ela? No primeiro dia bateu a janela. E depois? Sensibilizou-se com as demonstrações de amor do pobre diabo e começou a assistir aos desfiles, com o major sempre à frente, todo apetrechado.

Ela se rendeu? Sim. Ele alcançou o que queria. Conquistou a Gertrudes. Não cabendo em si de tanta alegria, de tudo fazia para conservar a conquista e, para não perder o desfrute daqueles aconchegantes braços morenos. E os seus cuidados tinham la a sua razão de ser, pois era sobeja a inconstância da dona com referencia aos seus afetos.

Depois de tudo haver feito para agradá-la, eis que o estoque esgotou. Já às portas do desespero e para não deixar a peteca ir ao chão, bolou um novo plano, algo que mostraria ao mundo quão grande era o seu amor.

Por ser bom de estratégia, nada falou a ninguém. Apenas disse a ela que estava a lhe preparar uma grande surpresa. E ela veio no dia 25 de outubro daquele mesmo ano, ou seja, um mês após havê-la conhecido.

O Imperador estava completando idade e uma festiva parada acontecia em sua honra. Tudo transcorria dentro dos padrões, quando de modo inesperado, salta aos olhos de todos, o batalhão do apaixonado com ele à frente, empunhando a bandeira imperial. Até aí, tudo bem, mas algo inusitado havia na bandeira. Curioso? Não vou contar. Só na próxima. É brincadeira. Conto agora. Fixada à bandeira estava uma liga de Gertrudes, colorida de azul e rosa. Uma beleza de liga.

Ante tal rasgo de amor, a bem-amada não se conteve e se debulhou em lágrimas, ali diante de todos. Quem não gostou da prova de amor foi o Imperador que mandou sacar a liga de lá. E dias depois, ainda entalado com o ato, chamou o major e meteu-lhe o chicote na cara. Dar-se-ia que o que o Imperador, mulherengo açodado, com ciúmes tenha ficado?

Até. E guarde-se das gafes desconcertantes

Gê Moraes é cronista

gedemoraes@bol.com.br

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