VALÉRIA PACHECO DO NASCIMENTO COELHO

Entendendo a consultoria de imagem

Valéria Pacheco do Nascimento Coelho consultora em imagem. (Foto: Vitoria Mikaelli)
Valéria Pacheco do Nascimento Coelho consultora em imagem. (Foto: Vitoria Mikaelli)

Com sotaque mineiro que não deixa dúvidas sobre onde nasceu, Valéria Pacheco do Nascimento Coelho mora em Mogi das Cruzes há quatro anos. Interessada por moda desde a adolescência, ela chegou a trabalhar como modelo, mas optou pela faculdade de Terapia Ocupacional com especialização em Gerontologia. Depois de alguns anos trabalhando nessa área Valéria encantou-se pela consultoria de imagem. Isso aconteceu em 2010, quando ela estudou o tema pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), ainda em Minas Gerais. Mais tarde, já em São Paulo, colocou a mão na massa e começou a oferecer este serviço para pessoas “anônimas”, como médicos, engenheiros e empresários, provando que não é preciso ser rico ou famoso para contratar um consultor. Aos 34 anos e cursando Serviço Social na Universidade Paulista (Unip) Valéria explica à O Diário o que é, como funciona, quem costuma contratar e qual o preço deste serviço, além de analisar programas de televisão que tratam de moda e sugerir a mudança do visual de algumas personalidades.

Heitor Herruso

Como funciona a consultoria de imagem?

Isso varia de consultor para consultor, mas a consultoria que eu desenvolvo consiste em extrair o que a pessoa tem de melhor, mas que não consegue expor, externando o interior por meio da imagem. Quando a gente conhece uma pessoa a primeira impressão é a que fica, e pesquisas mostram que 55% do que somos é nossa imagem, comportamento e atitude, 7% nossa fala e os outros 38% a intonação da voz, então as vezes por mais interessante e por mais conteúdo que a pessoa tenha, se a imagem for terrível tudo vai por água abaixo.

Então o que faz o consultor?

Eu tenho duas formas de trabalhar: online e presencialmente. Na presencial faço uma entrevista e anamnese com o cliente, depois uma análise de vestuário, de comportamento, da rotina, da personalidade, gostos, preferências, o que a pessoa faz, quais os objetivos e também as cores que mais a valorizam. Em alguns casos indico o cliente para outros profissionais, como fonoaudiólogo ou dentista, e dou dicas de como se portar, quais gestos fazer. É algo muito mais profundo do que só trabalhar o visual, tem muito a ver com autoconhecimento e autoaceitação. É sobre saber das suas limitações e potencialidades, disfarçando o que não é legal e exaltando o que tem de bom.

Existe uma ordem a ser seguida?

Na verdade isso varia de consultor para consultor também. No meu caso, vejo de acordo com as demandas daquele cliente, pois há várias etapas que uma pessoa precisa realizar e outra não. Então é bem personalizado, mas normalmente no presencial além da avaliação e análise iniciais posso fazer a parte de coloração pessoal para maquiagem, roupa e acessórios, indico mudança de penteado e até armação de óculos. Depois vem a etapa do personal shopper, que seria sair para fazer compras conscientes, não comprando tudo e nem o que é mais caro, mas sim peças de roupa que combinem com o que o cliente já tenha em casa.

Quanto tempo dura um trabalho como este?

De um à três meses, a depender do processo que o cliente necessita. Em alguns casos pode até ser muito pontual, como uma semana de consultoria para quem quer se preparar para ir numa festa, evento ou palestra.

Quem são seus clientes?

Pessoas anônimas, comuns. Do sexo masculino, que não é a maioria de minha clientela, já atendi engenheiros, fiscais de renda, empresários e até um cantor de MPB, que precisava de um visual diferenciado por ser artista. E do sexo feminino já trabalhei com médicas, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, bancárias, psicólogas e empresárias, que normalmente estão ligadas a segmentos de beleza e estética.

O que essas pessoas procuram?

Fazendo uma análise profunda acredito que essas pessoas procuram ser aceitas, acolhidas, bem recebidas e bem vistas pela sociedade. Alguns não conseguem expressar o que querem, e outros jogam o sonho bem pro alto, mas a maioria almeja algo que está abaixo do potencial delas, na verdade. Quando me procuram não necessariamente estão para baixo, mas estão abertos, mais vulneráveis e propensos à mudança e críticas, querendo sair da zona de conforto.

E quanto custa a consultoria de imagem?

Costuma-se pensar que só contrata este serviço quem é rico, como políticos ou pessoas famosas. Realmente existem profissionais que trabalham com este público, mas a minha consultoria é personalizada. Os valores vão de R$ 150,00 à R$ 3 mil, a depender do potencial que a pessoa tem e quais etapas ela precisará para atingir os objetivos desejadas. É preciso também ter um capital para investir nas compras. Já tive clientes com os quais consegui renovar o guarda-roupa com R$ 600,00 e também tive casos em que nem foi possível saber quanto foi gasto.

Você se lembra de casos em que a consultoria foi bem aproveitada?

Sim, vários. Como uma médica, dona de clínica, que era confundida com funcionária por ter a imagem incompatível com o potencial que tinha. Ela é super competente e bem sucedida, mas só passou a ser reconhecida como tal depois da consultoria. Teve também uma cliente que estava insatisfeita por estar acima do peso, e depois de emagrecer e renovar o visual se sentiu tão bem que virou maratonista. E ainda uma empresária que tinha uma auto escola, mas que depois da consultoria mudou de ramo e abriu uma rede de restaurantes.

E o contrário também acontece?

Eu respeito e deixo os clientes livres, ensinando-os a pescar, mas são eles que vão pegar o peixe. Às vezes as pessoas criam personas diferentes do que realmente são, como uma cliente que não aceitava bem as dicas e no final acabou extravasando demais no visual.

O que você acha dos programas de televisão que simulam consultorias de imagem?

Explico minha opinião com uma analogia: num desfile de moda você vai ver na passarela looks exorbitantes, que as pessoas não vão usar na rua. Mas é preciso saber extrair a tendência, que não é exatamente o que está na passarela, pois se colocarem algo muito comum lá não vai despertar atenção do público. Nesses programas é a mesma coisa, ou seja, eles têm que xingar e fingir que estão jogando as roupas da pessoa no lixo porque aquilo vai chamar atenção do telespectador. Por isso é preciso ter o bom senso de abstrair o que é legal e o que não é. Às vezes quem está assistindo tem o mesmo biotipo do participante, então recomendo absorver as dicas de moda e esquecer o resto.

Em sua opinião, quais personalidades precisam passar por uma consultoria de imagem?

Na época em que era presidente, acho que a Dilma (Roussef) precisava. Gostei muito da roupa e do cabelo dela na primeira posse, mas depois o visual ficou decepcionante. Quem também precisa é o (Jair) Bolsonaro, que tenta transmitir uma imagem de proximidade com o público, com entrevistas concedidas de casa, vestindo roupa informal, mas acaba deixando o penteado muito infantil, com o cabelo todo jogado para o lado, ficando incompatível com a idade dele. Também acho que o Neymar (jogador de futebol) e a Ana Maria Braga precisam explorar mais positivamente o estilo deles.

Há celebridades com um visual bacana?

Quem passou por uma consultoria muito boa foi o Lula, trocando as roupas jeans e meio esfarrapadas, o cabelo bagunçado, a barba malfeita e a forma agressiva de falar por ternos e postura elegante. Mas de maneira geral os artistas e personalidades se vestem para um público específico, como o Faustão, o Luciano Huck, a Fátima Bernardes e outros, que costumam estar de acordo com quem querem chamar atenção, não necessariamente se vestindo como na TV o tempo todo.