TRADIÇÃO

Entrada dos Palmitos reúne fiéis no distrito de Braz Cubas

Após cortejo por ruas do distrito, comunidade cumpre hoje a programação final da Festa do Divino Espírito Santo. (Foto: Eisner Soares)
Após cortejo por ruas do distrito, comunidade cumpre hoje a programação final da Festa do Divino Espírito Santo. (Foto: Eisner Soares)

De botina, chapéu e lenço, Leopoldo Otávio de Oliveira, de 62 anos, seguia o ritmo da congada, que acompanhava a Entrada dos Palmitos, ontem, uma das atrações da Festa do Divino Espírito Santo de Braz Cubas. “Acompanho as manifestações do divino em Minas, e acredito que ele protege a mim e a minha família todos os dias”.

Foi com pessoas como o senhor Leopoldo que o cortejo de fé e devoção passou por ruas do distrito, com a presença de caminhões, veículos antigos, representantes de forças militares e de congadas mogianas durante a manhã.

Centenas de pessoas acompanharam a Entrada dos Pamitos, que percorreu as ruas Júlio Aragão, Dr. Deodato Wertheimer e Álvaro Quiñones Zuniga com destino ao Largo da Feira, onde 1300 pratos de afogados foram servidos.

A emoção do evento não está, necessariamente, ligada à religião igreja católica, que celebra o Divino Espírito Santo. Havia participantes evangélicos, como Marlene Baltazar, de 70 anos. Ela ressaltou a importância cultural do evento. Ao lado dos netos Riquelme, 10, e Laislla, 11, ela conta que participa principalmente “pelas crianças, que gostam muito”.

Outra pessoa não católica que assistia a tudo com atenção era Dulcineia Corrêa, 52. “Trouxe minha filha para ela aprender a ter respeito pela cultura da cidade”.

Já o católico Lobato Barbosa da Silva, de 37 anos, contou que sempre vai às festividades do Divino, e aproveitou a ocasião de ontem para introduzir neste universo a filha Laura, de apenas quatro meses. “A trouxe para ver o movimento, as pessoas, e já se acostumar com o barulho”.

E também teve gente emocionada. Com uma bandeirinha vermelha, um dos símbolos dos devotos, Helena Rodrigues dos Santos, 81, olhava para com atenção para o cortejo. “Meu pai dançava Moçambique, então sou muito envolvida com tudo isso”.

Ao observar estas cenas, uma das organizadoras do desfile, Eunice Costa, 54, diz que a principal missão da festa é “unificar”. “A nossa parte é conciliar as agendas de todas as igrejas, pois apesar de termos várias festas, tudo está interligado”.

O padre Francisco Deragil, responsável pela paróquia Nossa Senhora Aparecida e São Roque, concorda. “Estamos celebrando a continuidade da devoção ao Espírito Santo, ao qual a cidade é muito devota”.

Para ele, além da religião, vale a “manifestação cultural”. “É preciso respeitar todas os credos”, disse. E qual a mensagem que fica desta 18ª Entrada dos Palmitos da festa de Braz Cubas? “A gratidão por tantas pessoas envolvidas, que nos dão forca para já pensar na festa do próximo ano”.

A Festa do Divino termina hoje em Braz Cubas, com a realização de alvorada, novena e a última noite da quermesse, no Largo da Feira.

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