EDITORIAL

Entre extremos

Necessário para reduzir uma pequena parte dos impactos do crescimento urbano baseado na impermeabilização do solo nas ruas e no interior dos imóveis, o piscinão do Parque Santana precisa ganhar outro tipo de atenção do poder público municipal fora do período de chuvas.

Com um papel mais do que positivo na vida dos moradores da bacia dos Ribeirão Ipiranga e parte do Rio Negro, o reservatório exerceu mais uma vez esse ofício ao conter 90 milhões de litros de água há uma semana. Mesmo assim, regiões como a Praça da Bandeira e trechos da Avenida Voluntário Fernando Pinheiro Franco registraram picos de alagamento.

Passada a chuva, o piscinão volta para o ostracismo, uma falha imperdoável do poder público municipal.

Todos os anos, depois de servir ao programa de contenção das enchentes, o piscinão não recebe adequadamente os serviços de limpeza, capinação, e etc, provocando problemas como o mau cheiro e a proliferação de insetos e animais peçonhentos.

Os moradores dão relatos sobre a ausência da Prefeitura. Um deles, publicado ontem por este jornal, confirma o desleixo e a negligência com o lugar. Afirma Maria Olinda Cardoso Souza, vizinha o piscinão, sobre o que acontece após os períodos de chuva, “a sujeira transborda no piscinão e é sempre uma cena triste. Por tudo que vivi, digo que a Prefeitura só se importava mesmo com isso aqui no primeiro ano que ele foi construído”.

Além dessa questão pontual, o grave cenário deixado pela primeira grande chuva do ano exige – e logo, outras respostas para as enchentes e alagamentos. Felizmente, Mogi não registrou desabamentos de casas e nem vítimas fatais como outros municípios. Mas, a cidade hoje, todos sabem, não está livre de registrar esse tipo de tragédia provocada pela falta de drenagem.


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