CARTAS

Entre praças e bandas

Pode me chamar de saudosista, ou qualquer outra adjetivação que caiba, mas é verdade que sinto saudade dos tempos em que as bandas mogianas ainda tocavam em praças públicas e que esses locais eram ponto de encontro de famílias e não de desocupados.

Houve um tempo, no passado desta cidade, em que a presença das corporações musicais Santa Cecília e Guarani disputam os espaços públicos, mostrando seus dobrados, marchas, valsas e outros ritmos capazes de embalar romances entre os frequentadores dessas áreas públicas. Eram bons os tempos em que ainda havia coretos usados pelas bandas para seus recitais de começo de noite, nos finais de semana.

Naquela época, era possível sair de casa com a família sem o trauma de vir a ser assaltado em plena via pública, como acontece nos dias atuais. Era uma época em que a vida em comunidade era valorizada e os moradores de Mogi das Cruzes ainda tinham opções de diversão gratuita nas praças da cidade. O mercantilismo, hoje presente em todos os lugares, dá aos tempos atuais um perfil muito diferente daquele de décadas atrás, quando as autoridades se preocupavam em oferecer atrações para que as pessoas pudessem se divertir sem, necessariamente, mexer na carteira.

Podem me chamar de saudosista, mas aqueles tempos deixaram saudades, assim como as bandas que não existem mais. Ainda bem que abnegados ainda fazem questão de manter a Lira São José Operário em ação. Falta levá-la para as praças. Mas antes, será preciso devolver esses espaços às famílias mogianas.

Elba Monteiro Cruz e Souza

Mogi das Cruzes, centro

O Diário

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