EDITORIAL

Epopeia

Faz exatamente 62 anos que um grupo de jovens se reuniu, em 13 de dezembro de 1957 em uma velha garagem da Rua Barão de Jaceguai, para comemorar o lançamento da primeira edição do Diário de Mogi. Naquele dezembro de 1957, Mogi das Cruzes era muito diferente da comunidade que reúne, hoje, cerca de 440 mil habitantes.

A cidade de então se restringia ao retângulo delimitado pelas ruas Tenente Manoel Alves, Ricardo Vilela, Dr. Corrêa, José Bonifácio e Avenida Pinheiro Franco. O que fugisse daí era periferia. O bastante para não ter sequer pavimentação. Ir até a Estância dos Reis era programa dominical das famílias de maior posse. Ali se almoçava a cozinha de Carlos e Helena Barattino. Opção era também o Simões, não o Júlio empresário de sucesso, mas outro, o cozinheiro de mão cheia que não abria mão de seu restaurante, no distrito de Braz Cubas.

Pelo centro da cidade, fora os cinemas, pouca coisa a se fazer além dos restaurantes Antártica e Cantina Mogiana. E do Café Natal, na Barão de Jaceguai. Por ali, o footing ainda era na Praça Oswaldo Cruz, que a Cidade conhecia por Largo do Jardim.

Pois foi numa banca de jornais do Largo do Jardim que o rapaz de 26 anos, logo que amanheceu o 13 de dezembro de 1957, foi ver a reação da cidade ao jornal que havia criado. Maior das ousadias: de pronto, um jornal diário. Das reações, guardou uma na memória: a de um advogado que viu o jornal e deu risadas de zombaria. Mas Tote, fundador e diretor do Diário de Mogi, não se ofendeu. Transformou aquele riso num emblema do próprio desafio a que se impôs.

Hoje, 62 anos após aquele 13 de dezembro, o jornal que nasceu restrito a 4 páginas impressas manualmente em uma máquina plana, é líder de sua área em toda a região metropolitana de São Paulo. Mantém posição de destaque na Associação Nacional dos Jornais e é citado como um dos 5 maiores jornais paulistas exceto aqueles que circulam na Capital. Ao redor de si, ainda a TV Diário, outro sinônimo de vanguardismo, retransmissora da Rede Globo de Televisão.

A vontade alavancando um ideal. A história da maioria dos jornais brasileiros é, também, a história do Diário de Mogi, o pequeno matutino de 4 páginas impressas em uma máquina manual plana de duas folhas, que surgiu em 13 de dezembro de 1957 em Mogi das Cruzes.


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