Escola de dança faz audições para dar bolsas de estudo

Até o dia 30 é possível se inscrever para concorrer a bolsas de até 100% em balé clássico, jazz, contemporâneo, dança de rua e flamenco em escola comandada pela bailarina e empresária Regina Cunha
Até o dia 30 é possível se inscrever para concorrer a bolsas de até 100% em balé clássico, jazz, contemporâneo, dança de rua e flamenco em escola comandada pela bailarina e empresária Regina Cunha

A escola de dança Regina Ballet funciona ininterruptamente em Mogi das Cruzes há 46 anos. Ao longo deste período já passou por inúmeras situações adversas, como crises econômicas e políticas e até mesmo uma ditadura militar, mas nada se compara a atual pandemia, quando a evasão de alunos tem sido grande. Agora que pode voltar a operar presencialmente, para estimular novas inscrições a administração decidiu disponibilizar audições online que darão bolsas de até 100% para estudantes de nível intermediário.

As inscrições estão disponíveis para praticamente todas as modalidades de dança oferecidas pela escola, como balé clássico, jazz, contemporâneo, dança de rua e flamenco. Os requisitos mínimos são apenas dois: ter mais de oito anos de idade e já saber dançar, pois é preciso apresentar uma coreografia em vídeo de no máximo um minuto de duração.

Todas as informações, incluindo o formulário de inscrição que pode ser preenchido até a próxima quinta-feira, dia 30, está disponível em https://bit.ly/3eUcyn4. Já o vídeo deve ser enviado para o e-mail escolareginaballet@gmail.com, contendo no corpo da mensagem o telefone e o nome completo do requerente e também a modalidade escolhida.

A porcentagem de desconto, que pode chegar até 100%, será definida “de acordo com a habilidade” do dançarino, como explica a proprietária da escola, Regina Cunha. “Se a pessoa realmente tem talento, se faz por merecer, se tem interesse de continuar, vamos oferecer o máximo de desconto”, afirma ela.

O material recebido será analisado entre o final de julho e o início de agosto. Após a etapa online, será agendada uma audição presencial, onde haverá “uma entrevista para perceber se o candidato quer mesmo dançar”.

A condição financeira dos participantes também pesará na decisão da bolsa, considerando que durante a pandemia muitas famílias estão remunerações reduzidas. “Ao longo dos anos percebi que as pessoas mais talentosas são as com poder aquisitivo mais baixo, então pretendo oferecer mais para quem precisa mais”, adianta Regina.

O processo de inscrição representa um novo fôlego para a escola, que desde o final de março vem trabalhando somente com aulas online. Agora, como conta a proprietária, a reabertura é uma possibilidade. “Nessa semana tivemos uma reunião com o Comitê Gestor de Retomada de Atividades Econômicas para tratar dos horários em que podemos abrir desde já, e a partir do dia 3 de agosto poderemos receber crianças pequenas novamente”.

É claro que as atividades presenciais não são obrigatórias, e os estudantes, inclusive os que forem contemplados pela bolsa, poderão optar pela modalidade digital, caso assim se sintam mais seguros. Regina, aliás, diz que as crianças, de modo geral, gostam da ideia de dançar em casa, mas que para isso dependem dos pais e/ou responsáveis.

“Elas gostam, se arrumam, passam batom, colocam uniforme. Mas muitas cancelaram as matrículas, pois os pais perderam os empregos, tiveram diminuição de salário ou não tem tempo para acompanha-las”, conta Regina.

Até março, a escola nunca tinha experimentado ministrar aulas online, e por isso foi aprendendo junto de quem estava do outro lado da tela. “Fomos entendendo o processo, como conseguiríamos atingir o aluno mais fácil. Antes das aulas mandamos num grupo o que será preciso, como toalhas ou faixas de alongamento, e também trabalhamos conteúdo teórico e lúdico, com jogos interativos para descobrir o nome de um determinado passo, por exemplo”.

Outra novidade que foi criada para manter a atenção dos pequenos durante as chamadas de vídeo foi uma mistura de contação de histórias com conteúdo prático e teórico. “Montamos histórias como a da Chapeuzinho Vermelho, onde a criança segue uma sequência, geralmente com princesas que caminham por um bosque, para ensinar brincando”, finaliza Regina.

Um ano sem festivais de dança

Quando conversou com a reportagem de O Diário no final de março, Regina Cunha, proprietária da escola Regina Ballet, acreditava que seria possível realizar a agenda de festivais locais ainda no primeiro semestre deste ano. O ‘Mogi em Dança’ estava previsto para maio, e o ‘Alto Tietê – Mogi das Cruzes em Dança’ era esperado para junho. Agora, apenas quatro meses depois, a visão dela é outra.

“Nada pode ser comparado a esta pandemia. Nunca pensei em usar as redes sociais assim, tão fortemente como meio de comunicação. Tive que aprender dar aula online, o que é muito difícil, pois gosto de tocar no aluno, de mostrar como cada movimento deve ser feito”, diz ela.

Regina lamenta o fato de não poder realizar os festivais tão cedo, e cita como exemplo o de Joinville, um dos maiores do país, que deixou de ser adiado para ser oficialmente cancelado em 2020. “Espero que isso tudo torne o humano melhor”, diz, otimista, mesmo num cenário tão complicado.

“Percebo que as pessoas estão valorizando muito mais o que antes não era visto, como abraços e sentimentos. Então devemos sair dessa situação mais amáveis, mais sensíveis, mais humanos”, conclui e acredita Regina Cunha


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