CRONICA

Escorregando na vaselina

Gê Moraes

gemoraesodiario@ig.com.br

Zé Botina e Maria Katrina – tirante as alcunhas – até que formavam um par bastante simpático. O Zé ganhou o apelido por usar umas botinas que rangiam mais que cigarras destravadas. Já o apodo de Maria foi uma homenagem àquele furacão que colocou meio mundo em polvorosa.

Embora não desse a menor bandeira, Botina era detentor de invejável fortuna caída do céu para onde foi o seu único irmão milionário. E por conta desse dadivoso manancial, a cada passinho o casal se mandava pelo mundo afora, a viajar pela Europa e outros babados mais. Pois bem, vamos ouvir uma conversinha entre os dois viajores?

– Katrina, você se lembra da nossa passagem pela Arábia Saudita?

– Claro! Lá, onde o arroto, após a refeição, é o suprassumo da educação e a prova de que a xepa estava uma delicia?

– E quando estivemos em Parma? Quase morri de vergonha quando você se pôs a palitar os dentes naquele restaurante cinco estrelas.

– É que fiquei sabendo que lá na Itália, limpar os dentes com o palito é o mesmo que dizer: “Que comida saborosa!”.

– Outra coisa interessante foi aquela que aprendi na terra dos faraós, quando alguém nos convidou para almoçar em sua casa. Enchi o prato de tudo que havia na mesa. Não aguentei comer tudo, mas como era feio deixar resto, fiz uma forcinha e limpei o prato. Só depois fiquei sabendo que deixar sobra era um elogio ao anfitrião.

– É querido, na Bélgica também paguei um mico danado ao comer com o garfo na mão direita. Riram de mim à socapa, pois lá a esquerda é a mão da vez.

– Sabe querida, quando formos a países árabes, pelo amor de Deus, use apenas a mão direita para oferecer cartão de visita ou para mostrar documento. Nunca a esquerda.

– Ora, por quê?

– Por aquelas bandas a esquerda é tida e havida como impura. Sabe por quê? Por ser a mão usada para higienizar a região glútea.

– Nos Estados Unidos cometemos alguma gafe?

– Pois então você não se lembra daqueles tapinhas nas costas que a gente dava, ao cumprimentar alguém? Para eles é uma falta de educação do tamanho do Empire State.

Por hoje é só. Qualquer dia o casal volta a mostrar algumas coisas mais, a respeito da etiqueta estrangeira para que ninguém acabe escorregando na vaselina.

Gê Moraes é cronista

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