Espera demorada

Passados cinco anos e após muitas promessas, parte dos pacientes de Mogi das Cruzes e das cidades da Região em tratamento contra o câncer continua enfrentado as duras viagens para fazer a radioterapia em Capital. Desde o descredenciamento do Hospital Dr. Flávio Isaías, em 2011, o Governo do Estado não consegue atender toda a demanda em Mogi das Cruzes, onde conta com os serviços oferecidos pelo Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, no Mogilar, e pelo Instituto do Câncer Arnaldo Viveira de Carvalho, que aluga atualmente as instalações do próprio Hospital Dr. Flávio Isaías, para assistir mensalmente, em média, 80 pessoas.Pacientes e as entidades que os representam admitem que a estrutura oferecida em Mogi das Cruzes melhorou consideravelmente nos últimos anos. Porém, pacientes com os tipos de câncer mais raros ainda são levados para clínicas da Capital – por mês, a Prefeitura paga R$ 100 mil para transportar essas pessoas.
Quando houve o descredenciamento do hospital, a promessa do Governo do Estado era construir uma unidade dentro do Hospital Luzia de Pinho Melo. A especificidade da obra tem sido apontada como um dos fatores que adiou a concretização do projeto, prometido para ainda este ano. Com a entrega do novo prédio, a Secretaria de Estado da Saúde pretende absorver todo o atendimento no local e tudo indica que será o fim do transporte dos pacientes para outras cidades.
Até lá, no entanto, um grupo de pacientes continuará sendo submetido a um tratamento doloroso física e psicologicamente longe de suas casas e o Município gastando um recurso considerável – R$ 1,2 milhão por ano, um dinheiro que poderia ser investido em outros setores.
Esse é um assunto que não pode ser esquecido. Apesar da melhoria dos processos de diagnóstico do câncer, essa é uma doença que possui os maiores índices de mortalidade no Brasil. Por isso, a nossa insistência em cobrar as promessas feitas pelo governador Geraldo Alckmin. Quando foi noticiado, cinco anos atrás, o descredenciamento do Hospital Dr. Flávio Isaías, a meta era ofertar a radioterapia em Mogi para atender mogianos e moradores do Alto Tietê o mais breve possível. Um, dois anos… seria um prazo razoável. Mas, cinco anos é demais. O que nos resta é insistir no cumprimento do prazo dado para a inauguração do Centro Oncológico e não deixar, em hipótese alguma, que isso seja ainda mais postergado.
Como bem disse o deputado estadual Luis Carlos Gondim Teixeira (SD), a oferta parcial do tratamento em Mogi “sangra os cofres públicos” e faz pior: penaliza os pacientes já debilitados por um tratamento difícil por si só, submetidos a uma extenuante viagem. Em geral, eles são pela manhã para São Paulo e só retornam para a casa no final dia.


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