Espera inaceitável

Nos últimos dias, as seis horas de espera enfrentada pelos mogianos em busca da regularização dos títulos de eleitor precisam servir de lição para o funcionamento futuro da Justiça Eleitoral de Mogi das Cruzes. Quando se leva em consideração a existência de mais de 293 mil eleitores (dados do Tribunal Superior Eleitoral, de fevereiro passado), fica muito difícil compreender a precariedade das condições de atendimento, em períodos como o terminado na quinta-feira última, prazo final para o acerto da documentação exigida a todos os interessados em votar nas eleições municipais, em outubro.A estrutura atual dos cartórios eleitorais desconsidera o crescimento populacional de Mogi das Cruzes, a partir dos anos 2000. Claro que a demanda a cada dois anos, quando são realizadas eleições municipais e gerais, não exige a manutenção de grande número de funcionários. Mas, em períodos como o atual o esperado e mais seguro seria o reforço do total de trabalhadores para que as pessoas não paralisem suas vidas e atividades durante cinco, seis horas, e em condições inadequadas – no meio da rua, sem quaisquer acomodações mínimas para os mais idosos ou pessoas deficientes, sem banheiro público.
Os cartórios estão para ser transferidos para antigo prédio da Universidade Braz Cubas, na Rua Francisco Franco, agora pertencente à Prefeitura de Mogi das Cruzes, e as instalações deverão ser melhores do que as atuais. Que a mudança seja rápida, para acabar com uma parte do desarranjo: as pessoas, de todas as idades, foram obrigadas a ficar sentadas no chão, de baixo do sol, com frio ou chuva.
Somente a mudança de endereço, não muda a maneira precária de funcionamento, comprovada nas últimas semanas. E, detalhe: a demanda por atendimento não diminuirá. Mogi não voltará a ter apenas 150 mil habitantes, como no passado, quando os três cartórios tinham mais condições para esclarecer dúvidas, emitir documentos e etc. Quem desistiu da fila por causa de outros compromissos terá de regularizar a situação junto à Justiça Eleitoral, sem isso, entre as sanções enfrentadas por todos, está a inviabilidade de disputar um concurso público, por exemplo. A demanda reprimida continuará existindo. O que se espera é a movimentação das autoridade na busca de soluções para esse problema e na cobrança dos responsáveis pela Justiça Eleitoral de atendimento mais digno ao eleitor.
Se bem observado, o lamentável exemplo pode servir de impulso para melhorias no serviço público de uma maneira geral. Repartições das três esferas de governo devem modernizar todos os seus processos no trato com o público. E isso exige o básico: atentar que Mogi tem mais de 425 mil habitantes e que paciência tem limite.


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