ARTIGO

Esperança no rio

Marcus Melo

A urbanização desordenada e dissociada dos investimentos necessários em saneamento básico adensam a mancha de poluição que macula as águas do Rio Tietê. Em que pese o cenário triste, de tantos prejuízos às gerações atual e futura, há de se considerar a evolução registrada nos últimos 18 anos.

Até o fim do ano 2000, quase todo esgoto coletado em Mogi das Cruzes era despejado sem tratamento nos cursos d’água. Hoje, a Cidade trata bem mais da metade dos detritos que coleta. O índice de tratamento saiu de 0,5% para 61%. Ainda está 39% abaixo da meta que é a universalização do esgotamento sanitário. Mas, é um avanço.

Importante é que nada parou, apesar da grave recessão econômica e da burocracia generalizada para licenciamento ambiental. A Prefeitura, por meio do Semae, desenvolve três frentes de obras fundamentais para ampliar o esgotamento sanitário. Considerando as projeções de conclusão dos trabalhos, o índice de esgoto tratado deverá subir mais de 17 pontos percentuais nos próximos três anos, beirando 80% de tratamento do total de detritos coletados.

Um dos pacotes de saneamento básico envolve Botujuru e parte de Cezar de Souza, onde os trabalhos estão 60% executados e têm conclusão prevista para o próximo ano. Já o sistema de esgotamento sanitário de Jundiapeba começará em poucos dias. Para dimensionar o impacto socioambiental, vale dizer que a execução dessas obras arremessará para quase 90% o índice de coleta e tratamento de esgotos em Jundiapeba e Nova Jundiapeba, um dos polos urbanos de maior vulnerabilidade social na Cidade.

A terceira frente de obras consiste na construção do coletor-tronco de esgotos na margem direita do Ribeirão Ipiranga, entre o Parque Morumbi e o Centro. Em fase de licitação, o investimento sela o enredo que começou em 2016 e parecia interminável. Não fossem a demora na liberação dos recursos federais e as sucessivas recomendações da Caixa para revisões de projeto, o trabalho já estaria concluído, beneficiando mogianos e seu patrimônio ambiental.

Mogi das Cruzes foi capaz de avançar mais de 60% no índice de esgotamento sanitário, num prazo de 18 anos. Seguimos com o empenho político e na perspectiva de universalizar o serviço, acabando com o lançamento de detritos in natura nos cursos d’água da Cidade. É questão de muito trabalho, sem perder a fé, para sustentar a esperança no rio.

Marcus Melo é administrador de empresas e prefeito de Mogi das Cruzes


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