ARTIGO

Esperança

O número de desempregados no Brasil é muito grande, entra mês, sai mês, os indicadores não são animadores a ponto de fazer com que o cidadão comum, sem emprego, veja uma luz no fim do túnel. São raras as vagas de emprego e muitas as dificuldades enfrentadas pelo pai e mãe de família que busca trabalho e o sustento. As coisas estão assim, amarradas num progresso que não vem e nas muitas, muitas discussões políticas o tempo todo sem trazer para o país uma renovação.

Há muito a prover para a população de baixa renda, ou sem renda alguma, muitos perdidos na busca de ganhar o pão de cada dia. Quem tem seu carro para transitar e passar pelas ruas das cidades, principalmente das grandes, percebe as carências surgindo a cada esquina. Do vendedor de flores ao vendedor de panos e pequenos brinquedos, dos artigos para celular às balinhas por 2 reais. Que país é esse ?

Há desvalidos e os que não deixam a bola cair, literalmente, fazendo seus malabares para levantar a grana do almoço. Esse cotidiano das esquinas e faróis estão por todo canto, envolvem tantas agruras e motivações. Tirando a malandragem de uns e molecagens de outros, por vezes ficamos na dúvida em auxiliar, em abrir o vidro e ouvir. A violência tem culpa nisso.

Por vezes vemos a luta de alguns aqui e ali, como de uma mãe nos semáforos da Vila Oliveira em Mogi das Cruzes buscando vender seus produtos para conseguir comprar uma cadeira de rodas para seu filho, mas percebemos isso aos poucos e podemos ter a certeza de que no “vermelho” é que acende a esperança.

A solidariedade do brasileiro é conhecida, mas caminha ao lado do temor da insegurança, razão pela qual talvez pudéssemos fazer mais, e questionamos como nosso país, grande e cheio de riquezas, acaba reproduzindo tantos desvalidos assim ?

Esmola, caridade, auxílio ou solidariedade, como queiram rotular, é tocante quando você percebe a insistência daquela mãe, debaixo do sol, no frio, mesmo com certa chuva, tentando conquistar de trocado em trocado o seu objetivo, mantendo viva a esperança de alcançar o conforto que de outra forma ainda não veio. É uma luta, uma busca incansável para obter o que o Estado não conseguiu ofertar apesar de tanto que se arrecada. E assim, num flash seguem os pensamentos até o próximo sinal verde.

Laerte Silva – advogado