ARTIGO

Está pronto para a ASG?

José Francisco Caseiro

ciesp@ciespaltotiete.com.br

Ainda que um retrato atrasado, pois se baseia em levantamentos feitos entre 2015 e 2017, o estudo Sustentabilidade e Inovação Ambiental divulgado há poucos dias pelo IBGE toca num ponto central de interesse das empresas brasileiras e chama a atenção para uma questão muito atual, que é a sustentabilidade ambiental. Tudo bem que isso já está em pauta faz tempo. A nova urgência, no entanto, surge da adoção desse critério pelo mercado financeiro para classificar os riscos e as oportunidades de investimentos.

Toda a polêmica que envolve a Amazônia e a política ambiental brasileira, assim como o histórico recente de acidentes ambientais, só fortalece o movimento de incorporação da ASG – sigla que congrega os critérios sustentabilidade ambiental, social e de governança – na definição de quando e onde o mercado financeiro vai investir.

Se até 2017, segundo mostra o estudo do IBGE, a maioria das empresas nacionais investia em sustentabilidade ambiental como estratégia para melhoria da imagem institucional, agora se trata de uma questão de sobrevivência. Isso porque o acesso às linhas de crédito cada vez mais estará condicionado aos bons índices das empresas na análise ASG. E convenhamos. O crédito no Brasil já é dificílimo, imagina com mais essas condicionantes, que já norteiam os investimentos estrangeiros?

Alinhar as estratégias aos critérios de sustentabilidade ambiental, social e de governança é mais um esforço para o setor empresarial. No retrato do IBGE, a indústria é a atividade com maior percentual de empresas ecoinovadoras (43,1%). Reciclagem de resíduos e águas residuais e redução da contaminação do solo, da água, de ruído ou do ar figuram como o tipo de impacto ambiental mais realizado.

Mas assim como as outras áreas, o avanço em inovação na indústria esbarra na falta de incentivos governamentais. Agora, com esse novo cenário mundial, ou o Governo entra de vez em campo ou perderemos mais empresas. E não será com a desculpa da pandemia.

José Francisco Caseiro é diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê


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