EDITORIAL

Estaca zero

A decisão da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) de revogar a licitação pública para as obras de modernização das estações das linhas 11 (Rubi) e 12 (Safiras) é uma grande derrota na luta pela melhoria das condições do transporte ferroviário.

Sob a alegação de caducidade dos projetos básicos e executivo, volta à estaca zero o cronograma para as construções dos novos pontos de partida e chegada dos trens em Jundiapeba, Braz Cubas, Centro e Estudantes.

Foram sete anos gastos com a elaboração desses projetos. Desde 2013, este jornal monitora o andamento do que nunca foi bem apresentado aos mogianos. A conta-gotas se soube da mudança da localização da estação, a integração com o terminal central de ônibus, a plataforma central com 190 metros e passarela aos pedestres na passagem de nível da rua Cabo Diogo Oliver a ser mantida aberta 24 horas por dia.

Demorou tanto a sair o plano final que tudo o que foi feito – horas de trabalho, cálculos, medições, especulações – ficou ultrapassado, como noticiou ontem o jornalista Darwin Valente, na coluna Informação.

Como o governador João Doria (PSDB) previu em entrevista concedida a este jornal na campanha de 2018, o redirecionamento do uso e ocupação das estações começou recentemente a ser executado com um chamamento público para aferir o interesse do mercado por um modelo de concessão que ata pontos como a construção, manutenção, gerenciamento e a exploração comercial desses espaços. Mas, que ninguém se anime: não há nada concreto.

A Mogi fica o amargo gosto da decepção e incerteza sobre quando, afinal, o tratamento dos cerca de 38 mil passageiros diários será equiparado a todos os demais da linha 12 Safiras. A cidade seguirá por mais tempo com um título intragável (e que não mereceu a devida reação de seus políticos de todas as esferas): ser o único município da região leste da Grande São Paulo com estações do século passado, vãos perigosos, escadas desajeitadas, banheiros improvisados.


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