“Estamos parados”

Na última visita ao Alto Tietê, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) confirmou a vinda de novos 10 trens para a linha 11 Coral – Estudantes-Luz, que custaram R$ 20 mi-lhões. Dez trens novos. Parece um grande feito, mas não é. Basta conversar com um passageiro diário, que acompanha o sucateamento do serviço ferroviário metropolitano para saber que será preciso melhorar muito o gerenciamento do setor hoje conhecido pela morosidade, superlotação, problemas técnicos diários e, o mais insustentável de tudo, a desumana baldeação em Guaianases.Com um atraso medonho, o Governo do Estado conseguiu reformar e melhorar as estações de Suzano, Ferraz de Vasconcelos e Poá. Em Mogi das Cruzes, as quatro estações permanecem como antes, paradas no tempo, a despeito do crescimento populacional e do aumento da movimentação de passageiros. As velhas plataformas, com perigosíssimos desníveis, oferecem riscos diários aos usuários. São heróis os cadeirantes que usam os nossos trens.
Basta um tropeço, um breve vacilo, para provocar um desequilíbrio e a queda de um pai ou uma mãe com filhos pequenos, um idoso ou pessoa com mobilidade reduzida, um adulto desatento ou cansado.
A esses problemas, somou-se, recentemente, a suspensão da passagem do Expresso Leste. Por problemas técnicos, o benefício foi retirado da já reduzida planilha de horários – obtida, após muita pressão e queixas. Está previsto para outubro o retorno dessas composições que aliviavam, em parte, a difícil situação dos passageiros do Alto Tietê.
Evidente que a chegada de novos trens alenta. Mas, não muda, em quase nada, o descontentamento com o serviço. A baldeação em Guaianases submete o passageiro a condições degradantes.
A viagem que poderia ser feita em uma hora, no Expresso, chega a durar uma hora e meia, nos demais. Na rotina da Linha 11, as composições andam lentamente e o aviso ecoa: “Estamos parados aguardando a movimentação dos trens”.
Não convencem as respostas da CTPM, que nega o sucateamento. A estatal diz que um mesmo número de composições opera desde abril, quando furtos de cabos complicaram a operacionalização do serviço. A frota com o mesmo total de lugares não muda a morosidade, nem a desordem no planejamento das partidas.
Ah, e as perspectivas nas próximas semanas são de mais superlotação: fim de ano e o período de compras aumentam a circulação de passageiros nos trens.


Deixe seu comentário