EDITORIAL

Estrada do Nagao

Em meio à pandemia que mudou o comportamento da mobilidade urbana e rodoviária, a brutal colisão que matou cinco pessoas, quatro de uma mesma família, sendo duas dessas vítimas, ainda recém-nascidos, nos leva a refletir sobre a relação entre acidentes e tragédias.

Não nos cabe exercer qualquer juízo sobre esse caso específico e o drama das famílias abatidas por um infortúnio tão dolorido.

Porém, a fatalidade em uma rota de grande circulação de veículos e pedestre nos faz pensar sobre as variantes e possibilidades a que estão expostos o cidadão que utiliza todos os dias uma estrada de curvas acentuadas e cada vez mais movimentada.

Um bairro, uma cidade, um país são o que são por sua gente, pelas escolhas de seus integrantes e representantes. Uma comunidade será mais igualitária, saudável, justa, ou não, de acordo com o desempenho de cada um de seus pares.

A Estrada do Nagao deixou de ser um acesso rural aos produtores agrícolas e moradores das vicinais interligados por ela. Desde a construção da rodovia Mogi-Bertioga, e ainda sem o asfalto, ela passou a ser usada, por quem a conhecia, como uma alternativa para se cruzar a cidade e o caminho para a praia.

Cocuera, de seu lado, não é mais um bairro genuinamente agrícola. Já passou a hora de a Prefeitura reconhecer a Estrada do Nagao como uma alternativa viária que exige segurança, investimentos e atenções contínuas. Cinco meses após a última poda, o acesso sem acostamento é risco diário para os moradores e trabalhadores que andam a pé.

Ontem, em nossa edição, mostramos falhas na sinalização e em ferramentas criadas para reduzir a velocidade, como um redutor que foi eliminado poucos dias após ter sido instalado.

A Prefeitura deve mudar o tratamento dado à Estrada do Nagao, uma rota viária e turística (ali está o Casarão do Chá) que acompanha as mudanças do perfil imobiliário do lugar. Propriedades têm o uso e a ocupação modificados em um processo que, mesmo acompanhado pelas restrições ambientais, avança rápido com a pressão por moradia que Mogi das Cruzes enfrenta.

O acidente de domingo lança um grande desafio a todas as comunidades rurais (Taboão, Biritiba Ussu, etc.) que estão mais afastadas dos olhos da fiscalização e mais suscetíveis a desvios de condutas e da lei como a falta cinto de segurança, excesso de velocidade e a direção perigosa após a ingestão do álcool.


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