Estradas inseguras

Merece atenção o teor da troca de mensagens feita entre o leitor Carlos Ronaldo Lopes e a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, na nossa seção de Cartas, a respeito da falta de fiscalização preventiva nas estradas da Região de Mogi das Cruzes. O assunto ganhou urgência após o mais grave acidente registrado na Rodovia Mogi-Bertioga, que matou 18 pessoas, 17 estudantes e um motorista, e feriu 26 estudantes de universidades mogianas, dia 8 último.

Em resposta a cobranças e questionamentos feitos pelo nosso leitor, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo divulgou algumas providências tomadas após a tragédia, com uma reunião entre responsáveis pelo policiamento e fiscalização do acesso e os resultados de uma vistoria ocorrida, após o grave acidente. E só. Não se tem notícia se, após esse dia de fiscalização, outras estão sendo realizadas diariamente.

Em, apenas o resultado dessa vistoria, em específica, feito uma semana após o terrível acidente do quilômetro 84, corrobora com aquilo que todo mundo sabe: muitos carros circulam em  condições inadequadas. Em apenas um dia, foram 446 autuações por infrações variadas de trânsito, o recolhimento de 10 veículos e a apreensão de 32 documentos de motoristas.

Protocolar, o posicionamento da Pasta deixa a desejar porque não se compromete com essa causa, e nem avança sobre o que poderá ser feito, na prática, para mudar a rotina de riscos dos milhares de usuários dessa estrada, e dos moradores de bairros, existentes em suas margens.

Uma sugestão: não seria esse um momento de algum secretário de Estado vir a Mogi das Cruzes ou a Bertioga para solidarizar-se com às famílias e a sociedade regional estarrecida com a gravidade desse acidente – um dos maiores registrados em São Paulo, nos últimos tempos,  e dar respostas sobre o que pode ser feito para diminuir os riscos de novas tragédias?

Essa e as demais estradas da região carecem de fiscalizações rotineiras e presenciais, com a participação de policiais rodoviários. A presença de um policial rodoviário induz ao cumprimento da legislação de trânsito. O problema é que a Polícia Rodoviária passa por um terrível processo de sucateamento, com redução de bases e números de policiais, aquém do necessário. Este e outros jornais do Interior de São Paulo têm demonstrado isso.

Nos finais de semana, a grande movimentação de veículos força naturalmente o motorista a reduzir a marcha e, a lentidão concorre para pacificar o trânsito. Fora desses dias, no entanto, quem passa por ali vê verdadeiros absurdos, ultrapassagens perigosas, veículos em péssimas condições.

Uma semana antes do acidente, este jornal publicou uma reportagem denunciando os abusos, com flagrantes inquestionáveis. A pergunta é: o que essa tragédia deixará como mudança?

O relato do leitor não poderia ser mais preciso: “Vejo MUITOS veículos circulando pelas vias e estradas sem condições, pneus carecas, lanternas queimadas, faróis com defeito, cano de descarga estourado com excesso de ruídos, etc, que estão sempre em risco de sofrer ou de provocar acidentes. A vistoria, nesses casos, somente em tempos de emplacamento mesmo”.


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