TOMÁZ SULLER

Estudante de Mogi é finalista em desafio de solução aeronáutica nos EUA

Tomáz Maia Suller, de 17 anos, está no 3º ano do ensino médio. (Foto: Eisner Soares)
Tomáz Maia Suller, de 17 anos, está no 3º ano do ensino médio. (Foto: Eisner Soares)

Nos próximos dias 24, 25 e 26 de julho, a Academia de Ciências de Nova York realiza a Conferência Anual Global Stem Allience de líderes em ciência e tecnologia. Entre os finalistas premiados, o estudante do 3º ano do ensino médio de Mogi, Tomáz Maia Suller, de 17 anos. Na companhia de três americanos, um paquistanês e um moldavo, o mogiano apresentará a pesquisa em que o grupo mostra como as novas tecnologias podem minimizar o tempo que os aviões ficam em solo esperando pela aprovação da rota, melhorar a qualidade no serviço oferecido dentro das aeronaves e, por fim, transportar mais gente em menos espaço de tempo.

Estudante do Colégio Objetivo de Mogi das Cruzes, Tomáz já participou de inúmeras competições. Porém, esta é a primeira internacional. Ele descobriu o desafio em novembro do ano passado, durante uma conversa com estudantes das Filipinas. A competição é separada em temas e faixas etárias. Suller concorreu na categoria de 13 a 18 anos com a proposta de apresentar um projeto que integrasse tecnologia de ponta à indústria aeroespacial, tornado-a mais eficiente, verde e competitiva. O desafio foi financiado pela United Airlines, a terceira maior empresa de aviação dos Estados Unidos.

O jovem de Mogi teve um mês para estudar o material disponibilizado pela Academia antes do início do período de inscrição, que começou em novembro.

“Eu estava de férias em casa e não tinha nada para fazer, decidi participar, pelo menos experiência eu iria ganhar. Fiz a minha inscrição e acabei não fazendo o trabalho com o pessoal das Filipinas, e sim com essa outra galera. Como o meu período escolar é diferente dos outros países, e parte do grupo também está focada no vestibular, eu acabei fazendo a maior parte do trabalho”, conta.

A ideia do grupo deveria ser colocada em cinco laudas para ser encaminhado. Os estudantes dividiram o trabalho em três áreas (veja matéria nesta página) e pesquisou desde a montagem e operação das aeronaves até as condições climáticas.

“A nossa ideia era de que a indústria aeroespacial vinha se desenvolvendo neste último século, desde o início do século XX, mas nas últimas décadas, com todos os avanços tecnológicos, ela acabou ficando defasada. Então, a gente buscou mostrar como tecnologias desenvolvidas mais recentemente poderiam ajudar a tornar a experiência do passageiro e da empresa melhores, no sentido de mais eficiência”, conta.

Durante dois meses, o grupo desenvolveu o projeto e submeteu ao concurso, no final de janeiro. A mãe Luciana Maia Suller disse que enquanto desenvolvia a matéria, o filho ia conversando com ela e o marido, Ramon Suller Garcia, e então eles foram tomando ciência da grandiosidade do projeto.

“O Tomáz tem uma veia acadêmica muito forte, eu sou a mãe que briga para ele parar de estudar um pouco, mas eu aprendi a respeitar. A gente é mãe e se preocupa, principalmente porque ele vai viajar sozinho, mas ele já fez um intercâmbio e se saiu muito bem, e também o inglês dele é fluente”, disse.

Até o mês de maio, o jovem esperou pelo resultado do concurso. Ele lembra que um dia postou uma mensagem em um fórum da Academia perguntando quando o resultado sairia e, no mesmo dia, recebeu um e-mail informando que ele estava entre os finalistas.

“Eu realmente não esperava estar entre os finalistas, foi a minha primeira vez participando de algo assim e fiquei entre os oito melhores projetos dos 126 inscritos. Mas agora eu penso em quando voltar da viagem e começar a faculdade, criar alguma coisa para ajudar outros estudantes a participarem e terem essa experiência também”, conta.

Tomáz viaja neste sábado, dia 20, e ficará em uma casa de família. Ele recebeu cerca de US $400 da premiação. As despesas foram pagas pelos pais e parte o Colégio Objetivo ajudou. Antes da premiação, ele montou um roteiro para conhecer museus dos EUA e encontrar outros jovens finalistas.

Estudante tem histórico em olimpíadas e vestibulares

Desde o 7º ano do Ensino Fundamental, o estudante Tomáz Maia Suller, de 17 anos, participa de competições. Ele ostenta uma medalha de bronze na Canguru de Matemática 2018, uma medalha de prata na Olimpíada Brasileira de Biologia 2019. Foi classificado para a Olimpíada de Química de São Paulo pela Fuvest, conseguindo prata e sendo classificado a etapa nacional. Com isso, ele também ganhou um curso de seis dias na Escola Olímpica de Química. O jovem também é destaque entre os alunos do colégio Objetivo de Mogi, onde liderou um grupo de alunos em um projeto voluntário para ajudar alunos com dificuldades do 9° ano até a 2° série do ensino médio.

Suller quer estudar engenharia de computação na USP. Inicialmente, os planos são de fazer a iniciação científica e o intercâmbio nas faculdades filiadas à universidade, e fazer a graduação na modalidade sanduíche, em que uma parte do curso ele realiza e outra no exterior, para depois ter o certificado das duas instituições. Como treineiro, no ano passado, ele foi aprovado na USP e também na Unicamp. “Mas tudo depende de eu ir bem no vestibular, ter boas notas e um pouco de sorte. Pode ser que os meus planos mudem depois que eu entrar na faculdade, mas por enquanto são esses”, destaca.

Estudo mira empresa e conforto do cliente

O projeto do grupo do estudante Tomáz Maia Suller, a que ele deu o nome de Hephaestus, o deus da tecnologia na mitologia grega, foi divido em três pontos de estudo. Para a base da solução sugerida, os estudantes realizaram uma análise bibliográfica dos últimos desenvolvimentos nas áreas de ciências dos materiais, telecomunicações e engenharia aeronáutica, uma lista de tecnologias atualmente acessíveis foi compilada. Publicações científicas de renome publicamente disponíveis, artigos individuais e patentes estão entre os visitados, a fim de explorar a maior variedade de locais para intervenção.

Na primeira parte do projeto, eles trataram dos componentes estruturais e design. “Materiais compósitos são imperativos no projeto de aeronaves do futuro por uma série de razões, como a diminuição significativa no peso usando plástico reforçado com fibra de carbono melhorando a economia de combustível; custo reduzido de montagem e manutenção; maior tolerância a danos, melhorando a confiabilidade geral”, destacou o estudo.

Na segunda etapa, os jovens trataram da automação, ressaltando os ganhos da segurança da aeronave, visto ser este uma das principais áreas de interesse da automação. “A varredura biométrica tem a capacidade de acelerar o processo de verificação, mas também torná-lo mais seguro. Outro aspecto da viagem aérea que pode ser melhorado por sistemas automatizados é o planejamento de rotas. Em vez de um processo complexo e oportuno, a Inteligência Artificial pode integrar dados de várias embarcações, portos e estações meteorológicas”, fundamentaram.

Por fim, o foco foi na experiência de quem utiliza as aeronaves: os passageiros. O grupo explorou o uso de tecnologias sem fio em aeronaves, para permitir aos passageiros acessar muito mais formas de entretenimento de uma maneira mais barata e mais pessoal. Dessa maneira, o sistema poderia ser mais facilmente atualizado. Também em necessidade urgente de atualização estão os assentos de avião. Através do uso de espuma de poliuretano de baixa resiliência, a roupa de cama se adapta ao corpo dos passageiros, permitindo também um maior fluxo de calor do corpo do viajante para fora. Permitir que os passageiros consumam mídia através de seus próprios dispositivos inteligentes apresenta várias vantagens para o atual modelo centralizado de distribuição de conteúdo”, relataram no texto que será apresentado em pôster no próximo dia 25 de julho.