FESTAS

Eventos sociais são adiados ou cancelados por causa do novo coronavírus

TEMPOS DIFÍCEIS Ana Rosa Augusto (em pé atrás da noiva) teve de cancelar cinco eventos; mercado enfrenta fase recessiva diante da pandemia. (Foto: divulgação)
TEMPOS DIFÍCEIS Ana Rosa Augusto (em pé atrás da noiva) teve de cancelar cinco eventos; mercado enfrenta fase recessiva diante da pandemia. (Foto: divulgação)

Levantamentos da Associação Brasileira de Empresas e Eventos (Abeoc) e da Associação Brasileira de Eventos Sociais (Abrafesta) mostram a grandiosidade desses setores. Segundo os dados, o mercado de eventos movimenta cerca de R$ 50 bilhões por ano em todo o Brasil, enquanto o de festas e cerimônias movimenta outros R$ 17 bilhões. Agora, o segmento foi forçado a estagnar em decorrência da pandemia do novo coronavírus e, com isso, muitas datas precisaram ser remarcadas, enquanto outras chegaram a ser canceladas.

Em Mogi das Cruzes, Ana Rosa Augusto atua com eventos há 20 anos e há seis com os casamentos. Sócia da irmã Alamara Sitnikas, que está morando em Portugal, ela conta que as duas já imaginavam que os problemas que a Europa estava enfrentando não demorariam a chegar por aqui.

“Minha irmã mudou para Portugal porque estamos expandindo nosso atendimento para lá também. Quando ela começou a ver as medidas que estavam sendo tomadas para conter a doença, vimos que precisaríamos agir por aqui também. Então, continuei atendendo os clientes, mas os deixei avisados de que muito provavelmente teríamos que adiar”, conta Ana Rosa.

O que ela havia previsto realmente aconteceu, mas resultou também em cinco cancelamentos. Todos eles eram eventos corporativos, que não faria sentido acontecer nos próximos meses. Muito disso ocorreu porque não é possível prever como estará o mercado quando o pico da doença passar. Outros foram cancelados porque envolviam, por exemplo, lançamentos de novos produtos de determinadas marcas.

Já os casamentos que estavam agendados para maio, junho e agosto foram todos adiados. Acompanhando as notícias, ela acredita que o ideal seja remarcar tudo para depois de outubro e foi isso que ela fez. Todas as medidas já foram tomadas, para que após a crise os clientes não fiquem sem uma data disponível.

Ana Rosa lembra que não é apenas o local que precisa ser reservado com antecedência, já que as festas dependem de uma série de serviços para acontecer. Por isso, é preciso deixar tudo agendado com músicos, bufês, fotógrafos, floristas e outros profissionais.

“Acredito que a tendência do mercado agora, com essa crise que também vai mexer na economia, será adiar um pouco o sonho. Quem estava procurando para casar este ano, vai acabar deixando para 2021 e, talvez, em formatos menores. Isso para que os custos da festa caiam, mas que ela continue com a mesma qualidade, continue chique”, pondera a especialista.

Na empresa que comanda, Ana Rosa costuma fazer eventos grandes, com casamentos para 300 até mil convidados. Nos próximos meses, ela acredita que esse número será menor, com os noivos convidando somente aquelas pessoas mais próximas e importantes. A prática, ela afirma, já é uma tendência na Europa, onde as festas costumam contar com uma média de 80 a 120 convidados.

“Como empresa penso no meu faturamento anual; se eu consigo adiar, meu prejuízo vai ser minimizado. O meu prejuízo fica por conta do que é cancelado, agora temos que saber lidar com isso. Uma das minhas vantagens é não ter funcionário físico, não ter uma folha de pagamento”, conclui Ana Rosa sobre o atual momento.

Número de casamentos deverá diminuir

Nos últimos anos, a quantidade de casamentos registrada em Mogi das Cruzes tem sido semelhante. Em janeiro e fevereiro de 2018 foram 470 uniões concretizadas na cidade; no mesmo período de 2019 foram 480, enquanto nos dois primeiros meses deste ano ocorreram 466. Os dados são da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen-SP). Nos próximos meses, devido à pandemia de coronavírus, esse cenário promete ser muito diferente.

Mas além dos cancelamentos e adiamentos em decorrência da doença, o cenário já tem se alterado em alguns quesitos ao longo dos anos. Considerado o Mês das Noivas, maio já não tem mais o maior número de casamentos, há um bom tempo. Em 2018, foram 250 e, no ano passado, 265. Mas outros meses, principalmente os últimos do ano, têm sido mais escolhidos.

Só em novembro de 2018, foram registrados 341 casamentos, enquanto no mês seguinte foram 394. No ano seguinte, os dois meses tiveram 325 e 322 uniões, respectivamente. A mudança no costume provém de diversos fatores. Um deles são as férias de final de ano. Os noivos aproveitam a ocasião para que tenham mais dias disponíveis para a lua de mel.

“Além disso, outros produtos e serviços são mais caros em maio, mês em que também é comemorado o Dia das Mães. É o caso dos arranjos de flores utilizados para enfeitar os salões, que são encontrados por valores mais baixos em outras épocas do ano, o que gera uma grande diferença no valor da festa”, explica Ana Rosa Augusto, proprietária de uma empresa de eventos.

DJ também enfrenta os efeitos da atual crise

DIFICULDADES DJ Pedro Hiago teve oito festas adiadas devido ao recesso geral exigido pelo coronavírus. (Foto: divulgação)

Agenda cheia e festas marcadas para todos os finais de semana de casa mês. Assim costuma ser a rotina de Pedro Hiago Zaramella Amadeu, o DJ Pedro Hiago, e sua equipe. Com o decreto de quarentena anunciado e a proibição da realização de eventos, em decorrência do novo coronavírus, tudo que já estava marcado precisou ser adiado. Somente as comemorações privadas foram oito postergadas.

“Mas ainda teríamos muito trabalho, porque eu toco praticamente todo final de semana em um bar da cidade. Em março, por exemplo, eu ficaria só um final de semana sem tocar por lá. Mas nos dias 20 e 21, quando ainda não existia o decreto, eles já estavam com receio do que aconteceria e cancelaram comigo. Havia ainda os eventos corporativos que também aconteceriam abril”, conta o profissional.

Nesse período complicado, o DJ ressalta que todos os clientes têm sido muito solícitos. A situação, claro, depende dele. Mas ainda assim, Hiago faz questão de ressaltar a importância da atitude que os noivos têm tomado: nenhum cancelou o serviço, todos optaram pela remarcação da data. Por enquanto, elas estão sendo lançadas para agosto, no mínimo.

“Ninguém optou por marcar antes disso, porque não dá para saber o que vai acontecer. Casamentos os noivos acabam remarcando porque é união entre duas pessoas, então dá para adiar um pouco. Mas o legal é que até mesmo um aniversário que seria em abril, a cliente quis trocar a data. Ela vai manter a comemoração, mesmo que demore um pouco mais para acontecer”, relata.

Hiago dá alguns exemplos, como os bufês que podem vender comida por serviços de entrega e fotógrafos que podem fazer fotos em estúdio. “Para o DJ isso é impossível; nós dependemos do público”, ressalta. Um dos cancelamentos que teve foi uma comemoração de bodas. Mas ele afirma ser compreensível, já que se o evento precisasse ser no próximo ano, já não teria mais o mesmo sentido.

Com dez anos de carreira, Hiago tem uma extensa carteira de clientes fiéis. Ele considera que isso seja essencial para este momento.


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