Ex-funcionário do Semae comenta água amarelada


Em conversa com a coluna, um antigo funcionário do Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) se vale de sua longa experiência junto à autarquia para dar uma explicação sobre a possível causa do problema da água amarelada que ainda incomoda os moradores de Mogi das Cruzes. Ele faz uma exposição didática sobre a questão, lembrando que após os dois problemas de rompimento de rede havidos recentemente em César de Souza, os reservatórios podem ter ficado com um residual dos produtos químicos usados para o tratamento da água, micropartículas que passam pelos filtros e que acabam se sedimentando tanto nos fundos dos reservatórios, assim como nas redes que levam às residências. “Quando o sistema está operando normalmente, em equilíbrio, nada acontece”, diz ele. Mas quando reservatórios e canos ficam vazios, há a entrada normal do ar que fica retido no interior das caixas d’água. Quando a água retorna e vai para as tubulações, ela também força a expulsão do ar, provocando um grande movimento no interior das redes, denominado de turbilhonamento. Com esse turbilhão, tudo que estava decantado nos canos acaba indo parar nas caixas d’água das residências, onde o líquido chega com a coloração diferenciada. Como todo o sistema de distribuição de água da Cidade possui em torno de 800 km de redes, há uma demora natural na limpeza, podendo entrar em cena um outro complicador: há uma concentração maior dos sedimentos nos lugares mais baixos e nos pontos onde as redes são mais velhas, algumas delas ainda feitas de ferro fundido, que também acumulam ferrugem. Para se ter uma ideia, o antigo funcionário do Semae lembra que a primeira Estação de Tratamento de Água da Cidade foi construída no início da década de 50, pelo prefeito Henrique Perez, o Vidam. No Mogilar, onde os problemas com a água amarelada são graves, as redes têm perto de 45 anos, além de ser uma área de baixada. Questionado, o funcionário admite a possibilidade da existência do manganês junto ao Tietê, assim como os efeitos de decomposição de plantas aquáticas, como possíveis causas do amarelamento da água.

COTIDIANO

Um pedaço de tábua e um cartaz vermelho alertam para a existência de um buraco no centro da Rua Anita Costa Leite, no Bairro do Mogi Moderno / Foto: Edson Martins


FRASE

O homem gritou dizendo que era para evoluirmos musicalmente, para deixarmos de tocar essas músicas de macumbaria.

Rodolfo de Vicente Gomes, do Grupo Suburbaqui, cujos integrantes dizem que foram ameaçados durante ensaios, no Largo Bom Jesus, no último final de semana