NOVA FASE

Ex-secretário de Saúde de Mogi defende testagem em massa da população antes da reabertura

DADOS Mais de 2 mil pacientes ainda aguardam resultado de exame para a Covid-19 no Alto Tietê. (Foto: divulgação)
SAÚDE Ampliar número de testes para a Covid-19 dará segurança à reabertura das atividades nas cidades, defende Marcello Cusatis. (Foto: divulgação)

Em meio à proximidade da flexibilização das atividades econômicas no estado de São Paulo, uma preocupação vai além da econômica: o sistema de saúde verdadeiramente está preparado para suportar um possível aumento no número de casos? O gestor em saúde, ex-secretário da pasta em Mogi das Cruzes e diretor do Hospital Santa Maria, em Suzano, Marcello Cusatis, defende que alguns estudos precisam ser realizados antes desse grande passo.

Desde o começo da pandemia ele tem defendido a necessidade de testagens em massa e ressalta que este é um dos caminhos a serem percorridos para chegar ao conhecimento verdadeiro sobre a realidade do novo coronavírus hoje. Uma das justificativas para não realizar esses testes era a falta dos insumos, mas o próprio Ministério da Saúde incluiu essa medida entre os protocolos e também há alternativas.

“O próprio Einstein (hospital e laboratório) que tem uma parceria com Mogi desenvolveu uma metodologia de exame em massa, com a mesma eficácia que o PCR, que é um dos mais garantidos hoje. Será que ninguém tem interesse em testar em massa?”, questiona.

O gestor avaliou como importante as testagens realizadas em Mogi, mas diz que a quantidade de mil testes em cada uma das duas fases ainda é pequeno para uma cidade com mais de 450 mil moradores. Além disso, defende o projeto dos vereadores Mauro Araujo (MDB) e Edson Santos (PSD) para que os pacientes sejam testados nas Unidades de Pronto Atendimento, as UPAs.

“Eu não li em nenhum projeto de flexibilização quantas pessoas têm plano de saúde e quantas não têm. De 30 a 40% dos hospitais privados estão em dificuldade financeira, porque o serviço caiu. Não vai faltar leito até o momento para quem tem plano de saúde. Precisa explicar em um estudo quem depende do SUS e quem depende do convênio, poque aí você criaria um filtro inteligente da estrutura para reabrir o comércio”, diz. Um projeto no Congresso Nacional discute a permissão de compra de leitos privados pelo poder público.

Cusatis ressalta que o problema maior é a UTI e a região ainda espera medidas efetivas do governo do estado, como a abertura de leitos nos hospitais Doutor Arnaldo Pezzutti, em Mogi das Cruzes, e o Hospital das Clínicas, em Suzano. “O governo do estado deveria ter mais leitos, principalmente no Luzia, mas fica nessa história de que está atendendo outras patologias, mas os outros hospitais também estão fazendo outros atendimentos. Só mesmo o Hospital Municipal de Mogi está atendendo exclusivamente os casos da Covid-19, inclusive de 20% a 30% de pessoas de fora. O hospital recebe uma verba do estado, mas a verba federal é exclusivo de Mogi”, destacou.

O resultado da testagem em Mogi que apontou que mais de 95% da população ainda não teve contato com o vírus mostra que, teoricamente, o número daqueles que vão ter contato após a flexibilização é ainda maior. Outro ponto que deve ser levantado é o percentual de pessoas com doenças como diabetes ou cardiovascular, que têm chances de evoluir para os quadros mais graves, fazer o levantamento demográfico para saber se onde esses pacientes residem há maior incidência de pessoas curadas ou se o vírus ainda está em fase aguda.

Há 30 dias, lembra o ex-secretário, a doença chegou à população mais pobre, e é essa parcela que depende do sistema público.

“Existe uma questão desse vírus que é essa transmissibilidade sem sintomas e a disciplina para você lidar com essa situação. É difícil as pessoas manterem a higiene e não se contaminarem. Exige uma disciplina militar para isso, e muita coisa depende da própria população. Tem gente que não tem acesso a sabão e álcool em gel. Essas pessoas mais simples trabalham na casa das pessoas com mais dinheiro. Tem o transporte público que não consegue parar. Então são vários pontos a serem estudados antes de simplesmente flexibilizar”, destaca.

Na semana que vem, o governo do estado avaliará a proposta do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) de mudar a região da faixa vermelha – alto risco – para a laranja, com menor risco e possibilidade de reabertura de algumas atividades.

A proposta é defendida por todos os prefeitos da região, mesmo com uma média diária de 100 novos casos confirmados da doença.

Hospital Albert  Einstein cria exame que descarta o ‘falso-positivo’

O teste desenvolvido pelo Albert Einstein ao qual o gestor em saúde Marcello Cusatis se referiu é o primeiro teste do mundo de diagnóstico do novo coronavírus baseado em Sequenciamento de Nova Geração (NGS), segundo o laboratório, e não apresenta casos de falso-positivo. De acordo com as informações divulgadas pelo Einstein, a técnica NGS consiste na leitura de pequenos fragmentos de DNA para a identificação de doenças ou mutações genéticas. A grande inovação foi a adaptação do método para detectar RNA (ácido ribonucleico). Além disso, permite analisar até 16 vezes mais amostras no mesmo intervalo de tempo do que o PCR (proteína c-reativa), e serve de opção viável de testagem em massa, inclusive sendo disponibilizado no laboratório nas próximas semanas.

As primeiras validações demonstram alta capacidade (90%) de identificar corretamente os indivíduos que contraíram a doença. Elas foram executadas usando amostras testadas na rotina habitual do laboratório no Hospital Israelita Albert Einstein, no Morumbi (São Paulo), e segue as boas práticas e recomendações de instituições como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, e a Food and Drug Administration (FDA), a agência americana responsável pela aprovação de medicamentos e tecnologias em saúde.

 


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