Executivos controladores X produtividade baixa

Estudo inédito divulgado recentemente realizado por dois pesquisadores brasileiros junto a 1.600 funcionários de 40 empresas de grande e médio porte conclui que a falta de confiança endêmica dentro e fora das organizações cria uma distância muito grande entre quem está no topo planejando tarefas e quem as executa no dia a dia. Essa realidade afeta a nossa produtividade e nos derruba nos rankings globais de inovação, uma vez que desconfiança faz com gestores não dividam metas e não acreditem que as pessoas sejam  capazes de dar conta do recado. O resultado é uma gestão baseada em controles excessivos que acabam inibindo a criação de algo realmente novo.

Os autores identificam como “Passivos Organizacionais” da cultura brasileira que consomem tempo, energia e que resultam em perdas de competitividade e produtividade.

Entre eles está a distância entre o poder e a base, a baixa confiança que faz com exista um excesso de regras e controles que engessam a cooperação interna, a pouca disciplina pessoal e o foco exagerado no curto prazo.

O estudo demonstra que o modelo de gestão nas organizações brasileira é extremamente reativo, porque existe um compromisso muito baixo com a execução do planejamento estratégico. Com esses comportamentos, caímos em uma espiral viciosa de perda de produtividade que se reforça com o tempo e que não é mensurada, o que gera retrabalho ou a incapacidade de manter uma manutenção preventiva.

No estudo, os pesquisadores refutam o paradigma de que o problema de baixa produtividade esteja atrelado ao nível de educação da população. Não há dúvidas que o Brasil demanda educação formal, mas temos uma massa crítica qualificada, com MBA, por exemplo, que poderia estar nas empresas. Eles lembram que o Brasil tem quase 8 milhões de alunos cursando a graduação.

Temos mais pessoas com nível superior, cerca de 15% da população, enquanto a China tem 10%. A questão é que o Brasil está em 34º lugar no ranking de inovação global e a China ocupa a terceira posição.

A boa noticia é que tudo isto está relacionado a comportamento humano e que pode ser mudado necessitando de uma reflexão profunda sobre o tema e iniciarmos um processo de mudança que resgate principalmente a confiança no ambiente de trabalho.

Cláudio Costa é empresário e economista