NA CAPITAL

Exposição ‘Palavras Somam’ estreia dia 17

O público poderá conferir cerca de 80 obras do acervo do Museu de Arte Brasileira (MAB) da Faap e de artistas convidados, em uma homenagem à arte e à resistência no exercício de liberdade e força política. (Foto: Divulgação)
O público poderá conferir cerca de 80 obras do acervo do Museu de Arte Brasileira (MAB) da Faap e de artistas convidados, em uma homenagem à arte e à resistência no exercício de liberdade e força política. (Foto: Divulgação)

O MAB Faap joga luz sobre a presença e a potência da palavra nas artes visuais com a exposição de longa duração “Palavras Somam”, que inaugura a programação de 2019. A partir do dia 17 de janeiro, será aberta ao público a mostra com 80 obras que compõem o acervo do museu, além de produções de artistas contemporâneos convidados.

Ainda dentro da proposta curatorial, haverá um núcleo temporário que contará com obras de artistas que irão se revezar ao longo do ano, como forma de incentivar as discussões, as relações e a dinâmica entre as obras. Walmor Corrêa e Beth Moysés, no primeiro semestre, apresentam trabalhos que subvertem a dor de mulheres que sofreram algum tipo de violência e transformaram o sentimento em arte; Regina Parra e Rosana Paulino, no segundo semestre, expõem obras que discutem o lugar da mulher na sociedade.

A exposição tem curadoria de Laura Suzana Rodríguez e retrata um amplo período da história da arte brasileira – desde a década de 1940 até os dias atuais. “A palavra sempre está presente na obra, mesmo que seja no título, para somar outros sentidos e possibilitar outras leituras”, explica a curadora. Isso pode ocorrer também a partir de uma interferência poética, na crítica ferrenha ao status quo, na criação de uma grafia própria e indecifrável que instiga o observador ou nos textos que ampliam o sentido da obra.

“A palavra é usada também como forma de registrar a presença dessas obras na coleção. As obras penduradas em painéis de acrílico têm a função de exibir o seu verso com as inscrições originais feitas pelo artista que codificam as informações sobre a obra”, explica Laura.

Arte Postal

No conjunto de obras do acervo apresentadas na exposição haverá ainda um núcleo de arte postal das décadas de 1970 e 1980 de artistas atuantes durante a ditadura, além de obras mais recentes puramente textuais ou nas quais a linguagem e a comunicação são parte fundamental no processo artístico.

Grande parte dos trabalhos expostos foram enviados (por correio) ou doados pelos artistas ao MAB Faap por ocasião da exposição Arte Novos Meios/Multimeios – Brasil 70/80, realizada em 1985 pela curadora e docente Daisy Peccinini.

Também chamada de Mail Art ou Arte Correio, a prática artística internacional ganhou projeção entre as décadas de 1970 e 1980 no Brasil, quando diversos artistas passaram a se valer dos correios e outros sistemas de circulação em seus trabalhos. “Enviadas para todo o mundo, por vezes ganhando intervenções a cada novo destinatário e por outras retornando ao seu próprio remetente, as obras criaram uma rede comunicativa de informações e afetos entre seus autores”, finaliza a curadora.

Gratuita, a exposição fica em cartaz até 15 de dezembro de 2019. O endereço é Rua Alagoas, 903, em Higienópolis. Telefone para mais informações é o 3662-7198. O agendamento de visitas educativas deve ser feito pelo telefone 3662-7200.

Sobre o MAB
Em 10 de agosto de 1961, com a mostra “Barroco no Brasil”, o Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) abriu suas portas ao público e desde então, tem abrigado exposições marcantes para a história da cultura do País. Premiado em 2018, pela APCA, com a exposição “Toyota – O Ritmo do Espaço”, o museu possui um acervo próprio de arte brasileira que conta com cerca de 3 mil obras de arte a partir do final do século 19, de artistas como Anita Malfatti, Brecheret, Di Cavalcanti, Goeldi, Lasar Segall, Pancetti, Portinari, Volpi, Cícero Dias, Tomie Ohtake, Arcângelo Ianelli, Lygia Clark, Burle-Marx, entre outros.