CIRCUITO

Fádua Sleiman apresenta os planos da Associação Comercial de Mogi

Fádua Sleiman (Foto: Elton Ishikawa)

Além de se dedicar desde o início dos anos 2000 na promoção do espaço das mulheres no mundo dos negócios, Fádua Sleiman é presidente do Conselho Empresarial Feminino do Estado e vice-presidente da Associação Comercial de Mogi das Cruzes, entidade que está prestes a comemorar 100 anos de existência e conquistas na cidade. Nesta entrevista ela fala sobre o significado e a programação do centenário, a importância da associação para os comerciantes e consumidores e ainda as expectativas para as vendas neste final de ano.

Fádua Sleiman (Foto: Elton Ishikawa)

Em 2020 a Associação Comercial de Mogi das Cruzes vai completar 100 anos de existência. Como será a programação?

Brinco que vai ser um evento secular. Em 2020 a programação será toda voltada para o evento de aniversário, marcado para o dia 29 de outubro, às 19h30, no Club Med Lake Paradise. Será um jantar com premiação para os empreendedores e homenagem a toda a classe empresarial. Nosso objetivo é preparar o empreendedor, fomentar novos negócios, fortalecer os já existentes e formar uma rede mais ampla de relacionamentos, então ao longo de todo o ano teremos uma série de eventos, tais como Fórum Econômico, Fórum Empresarial, Missão Técnica, isto é, os associados fazendo visitas entre si para que possam conhecer o dia a dia de outras áreas de trabalho e principalmente o Núcleo De Novos Negócios, que consiste em fortalecer quem queira montar novos empreendimentos em cima do movimento da melhoria econômica do país, algo que Mogi já está sentindo.

Não são muitas as entidades que alcançam essa marca. O que ela significa?

No Brasil, são menos de 10 as Associações Comerciais que têm 100 anos. Eu entendo que é um momento único, muito importante para todos os envolvidos, que, emocionados e empenhados, esperam tempos positivos para o mogiano, para o comércio local e para os associados. Estamos escrevendo o legado que será deixado para aqueles que vem agora. A proposta da diretoria atual é trazer jovens que possam tocar estes projetos, todos voluntários e dedicados às causas do empreendedorismo e associativismo. A ACMC tem muitas histórias e várias conquistas para a cidade, inclusive com dois prefeitos que saíram da casa (Marco Bertaiolli e Marcus Melo), então é uma fase de agradecimento a todos aqueles que participaram e contribuíram para o centenário.

Oque o futuro reserva para a ACMC?

A Associação, assim como outras entidades, tem que se reciclar. Precisamos criar novos produtos, porque a forma de compra e de serviços se modificou. O objetivo de 2020, já startado em 2018, é esse, de dar outra cara para a entidade, mais moderna, mais atualizada, mais tecnológica, mais inovadora. Um dos passos para isso é aumentar o número de associados, de 1.500 atualmente ativos para 2.000.

Qual é a importância da associação para comerciantes?

O comerciante tem acesso a toda a estrutura necessária para permanecer e crescer no mercado atual. Ele dispõe de consultoria empresarial e jurídica gratuita, capacitação e produtos a um custo diferenciado do mercado, além de assistência nas esferas do poder publico, municipal, estadual e federal. A Associação Comercial conecta ainda os comerciantes com a administração pública, como nos casos de sinalização de determinadas ruas, a lei de descontos para pessoas que fizerem cirurgia bariátrica e a instalação da zona azul de estacionamento, em que colocamos os associados para conversar e estabelecer um senso comum.

E para os consumidores?

Os consumidores têm grandes benesses por conta dos descontos em todas as lojas associadas. Isso sem falar das promoções o ano todo, como campanhas de Dia Dos Pais, Dia Das Mães, Dia Das Crianças e Natal, que está acontecendo neste momento, com o sorteio de um carro. Eles também têm, independente de serem associados, acesso ao sistema SPC Boa Vista, em que é possível consultar se o próprio nome está negativado. Resumindo, ele pode ter momentos de compra mais tranquilos e ainda conta com vários benefícios iguais aos oferecidos na capital.

A entidade participa de ações sociais?

Sim. Temos por exemplo o Núcleo Empreender, uma metodologia em que ajudamos pessoas de vários segmentos, associados ou não, com consultorias para ajudar no crescimento dessas pessoas. Mais do que isso, realizamos uma série de ações sociais junto do terceiro setor, como asilos, creches e o Fundo Social de Solidariedade e fazemos ainda o Café Empresarial, em que, ao invés de cobrar pelo café, pedimos aos participantes para levar algum produto. No último, arrecadamos peças para o bazar da Associação de Apoio a Criança Deficiente (AACD).

Estamos há um mês e meio do final do ano. Quais as expectativas para a economia a partir de agora?

Mogi está sentindo os efeitos da melhora na economia. Prevemos crescimento de 5% na contratação de mão de obra, e nesse sentido a Associação ajuda repassando currículos aos empresários, e também 5% de aumento nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado. Agora inicia-se um ciclo de dois meses de muito trabalho, que vai até a metade de janeiro, época em que muitas pessoas trocam produtos, e ao fazer isso, acabam comprando mais, aquecendo as vendas. Com isso, e também com a redução de juros, a baixa inflação, a antecipação do FGTS e a primeira parcela do 13º salário, os comerciantes estão se sentido otimistas e estimulados. Os produtos de maior procura nessa época do ano, são vestuário, bebidas, produtos de higiene e eletrônicos. Houve aumento muito grande do e-commerce, e esta semana agora começa a esquentar o mercado da Black Friday, que ainda não tem a devida credibilidade no Brasil.

Desde os anos 2000 você defende e luta por mais espaço para o empreendedorismo feminino. Este cenário tem mudado nos últimos anos?

Quando nós começamos, nos anos 2000, muitas mulheres precisavam ir para o mercado de trabalho para ajudar na composição de renda, e era tudo muito difícil, porque não se tinha crédito bancário e elas não sabiam por onde começar a montar o próprio negócio. A proposta era levá-las para as Associações Comerciais, que tinham e ainda têm condições de orientar, prestar consultoria e ajudá-las a iniciar, vender, contratar e crescer. Mas hoje o foco não é começar, e sim fortalecer as empresárias.

Depois deste momento, as mulheres passaram a entrar no mercado por opção e oportunidades, mas nos últimos quatro anos o índice de necessidade aumentou. Neste sentido, o que ajudou muito foi a lei do Microempreendedor Individual (MEI). Das cidades da região, Mogi é a que tem mais pessoas nesta categoria, sendo 60% dos negócios administrados por mulheres.

As mulheres empreendedoras ainda sofrem preconceito?

Em algumas áreas sim, e em outras não. O preconceito aparece principalmente no mundo da indústria, enquanto o comércio é extremamente receptivo às mulheres, que têm inclusive descoberto o tino comercial e estão multiplicando suas unidades. De modo geral o cenário vem mudando, mas a sociedade ainda tem receio dessa mulher empreendedora. É preciso entender a que elas vieram, que é para acrescentar, gerar novos negócios e trazer receita.

Qual o caminho para quem quer empreender?

Oriento para que busque as Associações Comerciais, porque nós temos assessoria gratuita, cursos presenciais e online, dinâmicas de conversas, workshops gratuitos, rodadas de negócios, cafés empresariais e principalmente oferecemos um espaço de fomento de rede de relacionamento, o chamado networking.


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