ARTIGO

Fale pouco e bem

Gê Moraes

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Aquele homem falava mais que político em campanha eleitoral. Quando se punha a tagarelar era um verdadeiro Deus nos acuda, agarrava-se à tagarelice com tamanha força que não havia quem o fizesse soltar-se dela. Tinha tudo a ver com uma matraca destrambelhada que falava pelos cotovelos e pelos demais membros do corpo. O pior de tudo é que de tudo quanto falava nada se aproveitava, nem mesmo um tico que fosse. Se fosse só o falar por falar, tudo bem, mas o cara era também um desabrido fofoqueiro. Vivia a fazer fofoca até da pobre foca do circo de cavalinhos. Dizia:

– Para chamar atenção, a foca equilibra uma bola no nariz, mas o que ela gostaria mesmo de fazer era equilibrar uma bola em cada orelha, mas para quem orelhas não tem, nariz serve;

Nem mesmo ao suíno ele dava trégua:

– Sabe por que o porco anda sempre de cabeça lá embaixo? – e ele mesmo respondia: porque sente vergonha de ser sua mãe uma porca.

É rapaz, em termos de comedimento verbal, o homem era tão feio que um filhote de cruz-credo perto dele seria tido e havido como alguém de estonteante beleza. Tudo porque o inveterado língua de palmo sempre deu de ombros aos sábios ensinamentos dos provérbios populares que recomendam discrição no falar, como esta pérola que aconselha: “Fale pouco e bem, e você será tido como alguém”. E para que melhor se entenda a essência do recado, ressalte-se que o bem, exarado no provérbio não deve ser entendido como falar doutoralmente, mas sim, fazer uso da palavra no momento oportuno, com propriedade e sensatez, ou seja, liberar a fala com substância que seja de proveito para quem ouve. Se assim não for, é de muito bom alvitre que deixe a matraca em estado de repouso absoluto, para que não ocorra que ela se transforme no abrigo predileto de muitas moscas.

Então, caro leitor, você gostou? Em caso positivo divulgue entre seus amigos. Em caso contrário, diga-me onde errei para que possa melhorar para melhor servi-lo.

Gê Moraes é cronista

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