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Falsários aplicam golpes na cidade; delegado alerta sobre os crimes

Delegado Jorge Esteves é titular do 2º DP de Mogi. (Foto: Natan Lira/O Diário)
Delegado Jorge Esteves é titular do 2º DP de Mogi. (Foto: Natan Lira/O Diário)

A supervisora Fabiana Felisberto Silva foi surpreendida com a ligação de um ‘primo’ de Minas Gerais dizendo que estava vindo para Mogi visitara família quando o carro quebrou e ele ficou parado na estrada. Para acionar o seguro, contou que precisaria de R$ 1,4 mil. Ela rapidamente fez o depósito na conta indicada por ele, que garantiu que  pagaria a ela assim que chegasse a Mogi.  Só mais tarde, ela ligou para a tia da cidade de Caratinga e descobriu que o verdadeiro primo não havia deixado o estado e que, na verdade, ela havia caído no chamado golpe do conserto do carro.

A vítima ficou sem acreditar, porque a pessoa que ligou disse o nome do seu filho, avó, tio, entre outros familiares. “Ele fazia a voz de mineiro, não tem como você saber que não é, eu não sei como eles fazem para saber de todas as informações. É uma cena muito bem montada, deve ter artista no meio disso. Inclusive, depois de alguns  dias, se passaram para uma outra tia nossa, dando as mesmas características, como aconteceu comigo. Ela só não caiu porque sabia do que eu passei, mas também disse que é muito bem feito o golpe”, conta.

Diferente do golpe do falso sequestro, em que o estelionatário fica o tempo inteiro com a suposta vítima ao telefone, neste caso, a supervisora disse que foi uma ligação rápida e outra na sequência para confirmar se o depósito já havia sido feito.

“Depois que descobri, fiz o boletim de ocorrência, liguei para o banco para ver se tinha como bloquear, e ia tentar ver se conseguia o estorno de uma parte. Mas, após oito dias, o banco me informou que não tinha o que fazer porque a pessoa já havia sacado o dinheiro”, diz. Depois do trauma, Fabiana conta que o sentimento diante da situação vivida é de impotência, porque até mesmo a intimidade da família está nas mãos do criminoso. “Não tenho nenhuma suspeita de onde ele pode ter tirado essas informações, porque até mesmo nas redes sociais eu só posto fotos com a minha família daqui de Mogi, mas sem muitas informações. Não tenho nada com o pessoal de Minas na internet”, pontua.

O professor universitário e sociólogo Afonso Pola analisa que um dos principais pontos que favorecem estes golpes é
que hoje as informações sobre as pessoas estão circulando pelo mundo afora, principalmente daquelas que participam das redes sociais. “Este golpe é muito parecido com aquele do sequestro, em que o criminoso induz as pessoas a passarem as informações. Então, a própria vítima é a fonte das informações, porque eles só vão dando as coordenadas a fim de colher as informações”, avalia.

Pola inclusive vivenciou uma situação do tipo, quando estrava na lotérica em um supermercado de Mogi. Uma senhora entrou com o celular na mão. Do outro lado da linha, alguém pedia para ela sacar todo o dinheiro que tinha na conta. “A menina do caixa percebeu e disse que estava caindo em um golpe. Eu também notei. Mas ela começou a dizer que estavam com a filha dela. Eu fiz sinal para ela largar o celular no balcão, porque eles disseram que se ela desligasse, a filha morreria. Ela chegou a ter um ataque, caiu no chão, conseguimos ligar para a filha dela e mesmo ela falando com a filha, não acreditava que estava tudo bem com ela e queria fazer o depósito”, diz.

O sociólogo avalia que o golpe deixa a vítima tão envolvida que ela perde a capacidade de reflexão e raciocínio. “Se a pessoa tiver calma, ela consegue uma forma de checar isso rapidamente. É só tentar não se desesperar com o criminoso, porque senão ela acaba contribuindo para o sucesso do estelionatário”, pontua Pola.

Delegado dá orientações
O delegado titular do 2º Distrito Policial de Mogi das Cruzes, Jorge Luis Neves Esteves diz que o número e a variedade de golpes vêm aumentando a cada dia. Nos registros policiais, a astúcia dos estelionatários consegue envolver a vítima a ponto delas caírem na conversa dos falsários. Por isso, a autoridade alerta para as pessoas se atentarem aos detalhes, a fim de desmascararem os criminosos. Veja abaixo alguns pontos destacados por Esteves:

1 – As empresas de empréstimo geralmente descontam as taxas e juros do valor que o cliente vai pegar. Ou seja: se ele faz um empréstimo de R$ 10 mil e tem R$ 300,00 em tributos, o saldo será de R$ 9,7 mil para o cliente. “Tem muita gente que está desesperada e vai à internet e encontra essas opções falsas, em que ele terá de pagar essa taxa antes de receber o dinheiro. Faz a transferência e só depois percebe que foi enrolado.

2 – Ficar atento e também orientar as outras pessoas de casa a não passarem informações da família, sobre o lugar
onde as crianças estudam, os moradores trabalham, hora de chegada e saída, porque existem criminosos que ligam
antes para colher esses dados e depois aplicam o golpe, sobretudo o do falso sequestro.

3 – No golpe do título protestado, o criminoso se passa por um funcionário do cartório e oferece ajuda para resolver a situação. A vítima paga o valor combinado e não tem o problema resolvido.

4 – No golpe da venda do carro e do aluguel da casa, o delegado ressalta que a principal estratégia dos criminosos é o preço convidativo. “Isso já é um sinal amarelo para a compra ou o aluguel. O cliente precisa ver o carro, fazer uma revisão e também precisa visitar a casa antes.