EDITORIAL

Falsos sequestros e notícias

Em 2002 ficou famoso o resultado de um estudo feito pela Universidade de Massachussetts, nos Estados Unidos, sobre a mentira. O The Day America Told The Truth mostrou que a maior parte das pessoas analisadas, 60%, não ficava dez minutos sem contar uma mentira.

Falsear a realidade está na história do homem desde que a linguagem começou a se desenvolver. Por questão de sobrevivência, inclusive, mesclar a fantasia e a realidade fez parte da evolução humana. Há explicações para isso. O assunto rende muito.

O ponto dessa questão hoje é: onde a humanidade vai chegar diante de tantas mentiras e golpes?

Pelo menos três mentiras são ditas logo que uma pessoa conhece outra pessoa, segundo o citado estudo. Mas, o peso dessa informação se mantém ali, entre dois indivíduos, e a convivência irá separar o joio do trigo.

Já mentir para milhões de pessoas, na velocidade de um toque na tela dos celulares ou diante de um microfone presidencial, provoca na população o “efeito rebanho”, para dizer uma expressão que a pandemia da Covid-19 impôs ao mundo.

O “efeito rebanho” é o esperado para o controle da pandemia quando uma vacina for encontrada, como ocorreu com a H1N1, ou um tratamento para a doença for considerado seguro. Hoje, notícias falsas podem provocar reações planetárias.

E é nessa levada, das mentiras menores e maiores, que o golpe do sequestro voltou a atormentar muitos mogianos nos últimos dias. Com os serviços de telemarketing operando parcialmente, as chamadas de telefones se tornaram um pouco mais raras. Uma ligação é motivo de suspense.

As preocupações com os familiares em isolamento social tornou, esse golpe, o do falso sequestro, ainda mais impróprio e desalentador.

O alerta feito pelo ex-vereador José Carlos de Souza, o Charutinho, na coluna Informação desta semana, faz todo sentido porque o abalo emocional pode levar as pessoas a caírem no golpe.

Mesmo diante da excepcionalidade desse momento, marginais e desocupados seguem procurando vítimas. Assim como os que não se furtam em dizer mentiras sobre o uso de chás, vinagre, sal e até desinfetante para eliminar o coronavírus.

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