EDITORIAL

Falta de energia

Nas últimas semanas, moradores de bairros distintos de Mogi das Cruzes, Vila da Prata, Rodeio, Mogi Moderno e o Nova Mogilar enfrentaram a falta de energia durante horas. O recorde foi na primeira dessas três áreas: 30 horas sem luz. Por que tanta demora? Talvez por falta de cobrança.

Não é de agora que o Estado de São Paulo passou a registrar um dos maiores índices de ocorrências de raios no verão. Quando os raios se unem aos ventos fortes, está criado o cenário perfeito para a interrupção no fornecimento da energia elétrica. 2019 se desenha como um ano ainda mais atípico, com com um aumento das descargas elétricas e da velocidade dos ventos. O homem não manda nas forças da natureza, mas é dever da concessionária do serviço de energia elétrica melhorar suas estruturas e equipes de atendimento aos pontos afetados pela escuridão.

Convenhamos, 30 horas de espera ou 12 horas, que seja, é um abuso contra um consumidor que paga uma das contas de luz mais caras do mundo.

Nada justifica a demora na substituição de transformadores ou/e outros equipamentos. A reposição desses itens avariados pelas tempestades deve ser imediata.

Esses problemas deveriam ter sido minimizados, ainda bem, com a divisão das redes áreas. O seccionamento favoreceu a redução das áreas afetadas por incidentes provocados por quedas de raios e de árvores. Por isso mesmo, a demora no atendimento sugere falhas estruturais (material para pronta reposição, equipes de trabalhadores para atuarem ao mesmo tempo, em endereços diversos).

Como em outros setores públicos, a burocracia pesa em desfavor de quem paga caro e favorece quem fornece o serviço. A legislação brasileira garante o ressarcimento financeiro aos clientes lesados pela queda de energia. O consumidor deve cobrar quando eletrodomésticos são queimados pelos cortes breves no fornecimento, ou há prejuízo financeiro como o enfrentado pela indústria e pelo comércio em maior escala, mas também pelo consumidor residencial. No papel, isso está garantido – no Brasil real, no entanto, a cobrança dos direitos requer um ritual demora para protocolar a queixa, o que desestimula a vítima e contempla o infrator, a empresa com lucros bilionários.

Sobre isso ainda: falta a Mogi representantes dos poderes Executivo e Legislativa e da sociedade civil organizada que reajam mais rápida e eficientemente em defesa dos interesses do cidadão. Nessa semana, quem dos vereadores ou das entidades classistas foi até a EDP São Paulo cobrar os prejuízos dos moradores e comerciantes da Vila da Prata, Nova Mogilar, etc? Se fosse ano eleição, talvez…