CASO

Família critica adiamento de júri de acusado de matar o avô em Mogi

ACUSADO Lothar Hoehne Kaltmaier consta como réu. (Foto: arquivo)
SITUAÇÃO Filha de Gerhard e tia do acusado, Lara, e seu marido Luciano, lamentam a demora. (Foto: Elton Ishikawa)

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) adiou o júri popular marcado para amanhã que teria no banco dos réus Lothar Gustav Hoehne Kaltmaier, acusado de matar o avô, Gerhard Kaltmaier, de 81 anos, no dia 30 de setembro de 2011, em Mogi das Cruzes. Segundo a acusação, o TJSP atendeu ao pedido do advogado de defesa, que está doente. A nova data ficou para 20 de julho de 2020.

A espera de quase oito anos pela sentença do crime angustia familiares da vítima. A filha de Gerhard e tia do acusado, Lara Vanini Kaltmaier, está inconformada. “Tínhamos uma alegria de que agora o processo iria andar, mas veio com um balde de água fria de novo. Todas as brechas que existem estão sendo usadas pela defesa, mas não entendemos o porquê. Tudo indica que ele vai ser condenado, então por que protelar isso? Só fica judiando da gente”, conta.

Na pronúncia do processo, Lothar é acusado de homicídio triplamente qualificado, motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

O marido de Lara, Luciano Vanini, diz que o que gera maior indignação na família é o sentimento de impunidade, porque segundo ele, se houvesse dúvida em relação à autoria do crime, era possível entender todo o período de investigação. “Se tivesse uma vírgula de dúvida, mas não. Nós temos a convicção e a certeza dos fatos, que foi algo premeditado, porque ele tinha sacado todo o dinheiro do banco, tinha feito uma mochila, enchido o tanque do carro e estava com dinheiro no bolso. É isso que me incomoda na Justiça brasileira”, afirmou.

ACUSADO Lothar Hoehne
Kaltmaier consta como réu. (Foto: arquivo)

A família não tem mais contato com o acusado desde a reconstituição do crime, em 2012. Apenas soube que ele se formou e estava trabalhando em São Paulo. “A gente tinha uma relação muito próxima, realmente de família. Ele estava em casa, brincando com meus filhos. Sempre teve um problema com o meu pai por conta do dinheiro, porque achavam que o meu pai deveria cobrir os buracos que ele abria”, relembra Lara.

O advogado Marco Soares diz que o crime teve requintes de crueldade, com diversas qualificadoras. “Mas a morosidade é mesmo da Justiça. Quando se atrasa muito para fazer um pronunciamento judicial, em invés de se fazer justiça propriamente, ocorre o inverso. É uma injustiça qualificada, porque não há nada que justifique um motivo tão torpe quanto esse”, ressalta.

Ainda de acordo com o advogado, não há como reverter o reagendamento da data porque o fundamento apresentado pela defesa é cabível, mas que ele critica a morosidade destes últimos oito anos. “Essa redesignação por si só é justificável, mas não todo o prazo que demorou para se marcar este júri, e também a situação da família, que espera por tantos anos por essa decisão”, pontua.

O crime

Vítima Gerhard Kaltmaier foi morto pelo neto aos 81 anos. (Foto: arquivo)

De acordo com o depoimento de Lothar que consta na denúncia do Ministério Público, ele havia procurado o avó na quarta-feira que antecedeu o crime para pedir que ele lhe desse dinheiro a fim de quitar a dívida do pai em um banco no Paraná, e também para pagar o débito com a universidade referente ao curso de Medicina, mas o avô lhe perguntou o valor exato e ele ficou de voltar com as informações.

Na sexta-feira, ainda de acordo com o processo, o réu retornou ao escritório, contou que o valor da dívida era de R$ 5 mil, sendo R$ 3 mil da universidade e R$ 2 mil do pai, e então o avô passou a insultá-lo, bem como o pai e a mãe. Ele se descontrolou e olhou para a mesa a fim de agredir o avô com algum objeto, mas o único que encontrou foi uma faca, então passou a golpeá-lo e se lembra de dois ou três golpes, até que a cadeira virou e o avô caiu no chão. O suspeito deixou o escritório, depois retornou ao local do crime e saiu de novo.

A secretária de Gerhard, Roseli do Prado Novo, relatou durante depoimento que não ouviu briga. Em dado momento, ela escutou apenas o barulho de algo caindo e depois um “ó” muito alto e foi ver o que estava acontecendo. Como se deparou com o acusado saindo em disparada, ela pensou que ele tinha ido buscar socorro. Depois, o acusado voltou e saiu de novo. Ela acionou o resgate e também a filha Lara.

Segundo o advogado de acusação, Marco Soares, Lothar se apresentou à polícia no dia seguinte ao crime e se comprometeu a contribuir com as investigações, por isso responde ao processo em liberdade desde então.

A reportagem de O Diário questionou o TJSP sobre a demora de oito anos para o julgamento, bem como o motivo do adiamento do júri marcado para amanhã e os complicadores do caso, mas não obteve resposta.

O telefone do escritório de advocacia apontado como de defesa do réu Lothar Kaltmaier não atende.

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