TENSÃO

Famílias e comerciantes do Shangai relatam rotina de ameaças de moradores de rua

MIGRAÇÃO Grupo de moradores passou a ocupar o Largo do Shangai, após deixaram a praça vizinha. (Foto: Eisner Soares)
MIGRAÇÃO Grupo de moradores passou a ocupar o Largo do Shangai, após deixaram a praça vizinha. (Foto: Eisner Soares)

Os comerciantes e moradores do bairro do Shangai estão preocupados com o clima de tensão na região da Praça João Antonio Batalha, ocupada por pessoas em situação de rua e usuários de drogas, que aterrorizam e ameaçam quem se recusa a dar dinheiro, comida, pagar bebida ou cigarro. Eles iniciam uma articulação a fim de cobrar providências da prefeitura.

Há relatos de brigas e agressões naquele espaço, usado para necessidades íntimas, como tomar banho e fazer sexo. O cheiro de fezes e urina é forte. Há relatos de venda de drogas no local. A praça deixou de ser frequentada pela comunidade, depois de ser ocupada por um grupo de 20 pessoas.

O proprietário de uma farmácia vizinha, Kaio Costa afirma que a situação está ficando insustentável. “A tensão é tanta que nós temos que fechar o comércio mais cedo, antes do anoitecer para evitar riscos”, disse. Ele alega que também foi vítima de pequenos furtos de produtos de higiene em seu estabelecimento.

Os conflitos entre os integrantes do grupo chamam atenção. “Recentemente um deles espancou uma mulher grávida. Tivemos que chamar a ambulância e a Guarda Municipal para tomar providências”, relata. Na opinião dele, a prefeitura deveria instalar uma câmera de monitoramento para acompanhar a situação e evitar que toda hora os comerciantes tenham que ligar para chamar a Guarda Municipal.

O proprietário de um restaurante próximo, Fabrício Jungers, diz que eles pedem alimentos no estabelecimento. “É muito complicado porque os clientes ficam incomodados. A situação é desagradável e a gente acaba dando para evitar problemas”. Na opinião dele, a prefeitura deveria manter as plantas podadas para dar maior visibilidade no interior da praça e uma viatura da Guarda Municipal no local.

A reportagem conversou com duas senhoras idosas moradoras há mais de 50 anos naquela região. Eles temem represálias, e consideram “um caos” o que se transformou a praça. As duas contam que foram perseguidas, ameaçadas e “morrem de medo” de passar pelo local. “Estamos vivendo um pesadelo. Tenho que dar a maior volta quando preciso ir ao mercado ou à prefeitura. Reforcei as grades na minha casa. Até meu cachorrinho está triste porque não posso mais passear nessa redondeza”, reclama uma delas.

Assim como os demais entrevistados, elas alegam que em vez de ajudar, os grupos de evangélicos e aqueles que levam comida para eles todas as noites acabam estimulando essa situação de rua em que se encontram. “Se não recebessem comida, cobertor e roupas todos os dias, teria que procurar um abrigo para ficar”, observa a senhora.

O funcionário de um restaurante, Roberto Carlos de Jesus, ajudou a defender o fotógrafo Edson Martins de um grupo de moradores que o agrediu na última terça-feira, quando passava pelo local com sua câmera.“Esses tipo de situação acontece com frequência, envolvendo inclusive pessoas idosas, que acabam cedendo e dando dinheiro a eles por medo”, relata. Ele mesmo disse que teve o celular furtado e com ajuda da tecnologia, localizou o aparelho com uma dessas pessoas.

O incidente envolvendo Edson Martins chamou atenção do prefeito Marcus Melo (PSDB) que telefonou ontem para se solidarizar com o fotografo deste jornal. A Prefeitura promete reforçar a atuação no Shangai.

Assistência Social vai reforçar atuação no Largo do Shangai

Em resposta sobre a circulação de moradores de rua na região central, o coordenador do Centro Pop, Osni Camargo da Silva, informa que os serviços da Assistência Social “não possuem registros de violência com os munícipes”. No entanto, admite, que “a ocupação de espaços públicos municipais e o acúmulo de pertences, prejudicando o direito coletivo, deve ser sofrer intervenção para que os direitos de toda municipalidade não seja violado. Episódio de agressão, roubo, perturbação da ordem pública, devem ser reportados à Polícia Militar e à Guarda Civil Municipal”.

Por orientação do prefeito Marcus Melo, afirma a nota, a Secretaria Municipal de Assistência Social atua em todas as praças.

Informa, ainda, que “após o sucesso conquistado no Largo Bom Jesus (conhecido como São Benedito), graças a parceria entre Assistência Social, Guarda Civil Municipal e Serviços Urbanos, o Largo do Shangai tem sido foco das ações da Secretaria Municipal de Assistência Social, que mantem uma equipe de agentes sociais atuando das 7:00 às 21:00 horas, todos os dias da semana, inclusive sábados e feriados, para ofertar algum encaminhamento para as pessoas que estão na rua. A proposta dessa equipe de agentes visa aproximação, identificação, registro das situações de cada pessoa e a oferta de serviços”

Todas as pessoas são identificadas e resistem à proposta de acolhimento nas entidades e serviços existentes.

Já a Secretaria Municipal de Segurança Pública promete ampliar as rondas em praças e na região central, após a intimidação sofrida pelo fotógrafo de O Diário.