ARTIGO

Feio de doer

Gê Moraes

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Pelo Café Michel! Não é que o café é mesmo uma bebida cheia de vida? Pois é, a muda que Palheta trouxe da Guiana Francesa soltou a voz pra valer e, tão alto cantou, que não demorou muito tempo para que a muda única se multiplicasse em milhares de mudas e abarrotassem de barões as burras dos Barões.

Ah, quão reconfortante é tomar uma xícara de café no balcão de um Café, como aquele que se achava lá na praça, esquina com uma avenida. Mas, veja que tem que ser um café sem mutreta, verdadeiro, nascido no cafeeiro. E não a manjerioba, também chamado fedegoso, com que prepara uma infusão, que parece, mas, não é café e, serve para eliminar os gases, antes que eles se soltem.

A propósito, você que me lê já passou pela experiência de se achar ouvindo bela música em algum café-cantante e, lá pelas tantas alguém liberar um gás poderoso, daquele que polui até os confins da estratosfera?

Ca entre nós, um café com isca é bem melhor do que um café com língua, você não acha? E se for um café-conosco, que lá no Sul é aquele acompanhado de guloseimas ou iguarias, melhor ainda.

Contudo, nem todo mundo pode se dar ao luxo de um café de tal naipe, a não ser os do café-soçaite e os mais aquinhoados, que adormecem ricos e despertam com um pouco mais.

E de repente, vem um gaiato e lhe oferece um café-branco na caneca. Você aceita de bom grado, toma o primeiro gole e cai sentado, pois o sacana é aguardente de cana.

Por outro lado, há que se ter cuidado com o café-bravo, gente não, mas os ruminantes e roedores, pois as pequenas bagas do arbusto podem envenená-los.

Outro dia ouvi um nordestino que é chegado num café-de-quatro-quinas. Precisei assuntar que danado de café era aquele, e fiquei sabendo que era o café coado, servido com rapadura moída ou pilada. Curioso, fui tomar um, só pra ver as quinas. Examinei a caneca por todos os ângulos e não vi quina alguma.

Ontem fui tomar um café na casa de alguém que vive a dizer que sou feio de doer. Pois é, a mulher de Zé da Fé diz que meu rosto é feioso, mas, não larga do meu pé, pois o restante é gostoso.

Gê Moraes é cronista

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