EDITORIAL

Festas em chácaras

Ganha atenção o crescimento das denúncias sobre a realização de grandes festas em chácaras e sítios espalhados pela zona rural de Mogi das Cruzes. A quarentena está em vigor nos decretos estadual e municipal que proíbem eventos, manifestações e aglomerações. É medida extraordinária para o combate à propagação do novo coronavírus, um vírus transmitido de pessoa a pessoa e de consequências fatais para uma parte da população infectada.

Em Mogi das Cruzes, as denúncias chegam a um número surpreendente: por dia, segundo a Prefeitura, são 150 confraternizações, campeonatos ou encontros sociais são motivos de preocupações de cidadãos que pedem providências ao governo municipal.

Os locais mais distantes, e, portanto, fora do radar da fiscalização, passaram a ser endereço de festas divulgadas em redes sociais promovidos por pessoas físicas e empresas.

Por que os organizadores escolhem esses locais? Simples, distantes da região central, as chances de uma fiscalização que exija aparatos de segurança e a obediência a leis, como a do Silêncio, são menores.

Um desses bailes ficou tragicamente conhecido ocorreu há dois anos e reuniu centenas de jovens em um sítio do bairro do Botujuru. Estava nesta festa a jovem Rayane Alves Paulino, que foi violentada e morta pelo bombeiro civil Michel Flor da Silva, em Guararema, após deixar o local desacompanhada.

Esses eventos têm se proliferado em regiões rurais de toda a região do Alto Tietê, e movimentado o mercado imobiliário com o aluguel de chácaras nos finais de semana.

Porém, na pandemia, esse fenômeno surpreende ainda mais porque ratifica o pior de uma parcela de empreendedores que faturam alto com a venda de centenas de ingressos e de bebidas vendidas, muitas vezes, a menores de idade, e violam a ordem pública porque se fiam na impunidade e nos braços curtos da fiscalização.

A denúncia é um meio de se coibir o que pode ser muito caro, logo à frente, para os participantes destes encontros, campeonatos esportivos, etc.

Além dos organizadores, há de cobrar também dos proprietários desses imóveis. Ao locar uma chácara para esses fins, eles são co-autores do que ali se realiza. É uma questão legal, mas também ética. Multas têm sido aplicadas. É o recurso que se tem diante da irresponsabilidade e negligência de quem ainda não entendeu o motivo do isolamento social nesta crise de saúde pública.


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