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Fiat Cronos HGT é “esportivo” puramente visual

Visual é de carro apimentado, porém, o Cronos HGT não é empolgante como sugere (Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

O Fiat Cronos foi lançado em fevereiro do ano passado, mas ainda busca uma personalidade própria. Apesar do belo design italiano, o sedã compacto derivado do hatch Argo é apenas o 37º automóvel mais vendido do país. Para tornar o Cronos mais atraente e competitivo, a principal novidade da linha 2020, apresentada em agosto passado, é a versão HGT. Apesar do motor ser o velho conhecido 1.8 flex Etorq, um aspirado sem maiores pretensões dinâmicas, a estética esportiva é o forte da nova configuração.
O veterano motor 1.8 flex Etorq do Cronos HGT tem a tarefa de dar esportividade à linha Argo/Cronos. O motor não é fraco e dá conta do recado, mas não entrega uma performance que possa ser classificada como empolgante. Os 139 cv de potência e 19,3 kgfm de torque são convincentes e dão desenvoltura ao modelo. No entanto, o torque máximo só aparece em 3.750 rotações – um modelo turbo como o Volkswagen Virtus oferece um torque pouco maior, de 20,4 kgfm, contudo já disponível em duas mil rotações, o que colabora nas acelerações e nas retomadas.

O sedã compacto da Fiat é equipado com o velho e conhecido motor Etorq de 139 cv de potência (Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

O câmbio automático de seis marchas quase sempre faz trocas rápidas, porém as mudanças parecem estar ajustadas para ajudar no consumo. Mesmo quando o motorista abusa do pedal da direita, a aceleração é progressiva – um nível de “civilidade” inusitado em um sedã de aspecto tão esportivo. Não há sequer um modo Sport na transmissão para fazer o “powertrain” render mais. Ao menos as “borboletas” no volante permitem ao motorista controlar as trocas das marchas para tentar obter uma performance mais dinâmica. Já no trânsito urbano, o sistema “start/stop” dá sua contribuição para reduzir o consumo.
Diferentemente do Argo HGT hatch, que traz um ajuste mais firme de direção e suspensão, o sedã não recebeu ualquer modificação. Como a própria marca italiana admite, o apelo da versão HGT do Cronos é puramente visual. Assim, as diferenças entre as versões Precision e HGT se limitam aos detalhes estético. No caso do sedã, o estilo ficou ainda mais agressivo que no Argo HGT, principalmente por conta do nada discreto aerofólio preto brilhante ostentado na tampa do porta-malas, exclusivo da versão com bagageiro protuberante. As molduras em “black piano” na grade e tomada de ar inferior tomam o lugar dos habituais apliques cromados, os emblemas da Fiat escurecidos, as capas dos espelhos em preto e as estilosas rodas negras de 17 polegadas, calçadas com pneus de perfil baixo (205/45), deixaram o sedã com um jeito mais “malvado”.

Rodas de aro 17 polegadas pintadas em preto são destaque no visual do Cronos HGT (Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

A esportividade ostensiva do exterior do Cronos HGT é bem atenuada no interior. As forrações do teto e das colunas e a faixa central do painel são em preto – no Argo HGT, a faixa é vermelha. De resto, o padrão é similar ao do Cronos Precision. Os revestimentos são simples, contudo o interior do sedã transmite sensação de qualidade em virtude dos padrões de textura modernos e de bom-gosto. Além disso, a montagem é caprichada. A central multimídia com tela de sete polegadas sensível ao toque, que mais parece um tablet, é compatível com plataformas Android Auto e Apple CarPlay e tem uso bem intuitivo. Há conectividade via Bluetooth e sistema de reconhecimento de voz.
O aproveitamento de espaço no Cronos é bom. Embora a posição de dirigir seja um pouco mais elevada do que o normal nos sedãs, é fácil de se achar uma acomodação agradável, pois a coluna de direção é regulável em altura e em distância. O entre-eixos de 2,52 metros é o mesmo do Argo hatch e o espaço interno no banco traseiro não é ruim para pernas e cabeças. Um quinto ocupante evidencia a pequena largura do assento, entretanto, tem direito a cinto de três pontos e encosto de cabeça. O porta-malas é um destaque do Cronos. Com 525 litros de capacidade, supera alguns sedãs médios.
Como ocorre na Precision, o ponto alto do Cronos HGT são os itens de série. Lá estão o ar-condicionado automático digital, o sistema multimídia com tela de sete polegadas com Android Auto e Apple CarPlay, sistema de monitoramento de pressão dos pneus, controles eletrônicos de estabilidade e de tração, assistente de partida em rampa, direção elétrica, alarme, computador de bordo e vidros, travas e retrovisores elétricos.

No interior, o tom preto é predominante no Cronos HGT, que tem central multimídia moderna (Divulgação)

O Cronos HGT custa R$ 78.490, apenas R$ 3.000 a mais que a versão Precision. No entanto, os opcionais disponíveis são muitos: teto preto (R$ 500), bancos de “couro ecológico” (R$ 1.500), câmera de ré (R$ 700), airbags laterais (R$ 2.500) e pacote composto por partida sem chave, retrovisor com rebatimento elétrico e iluminação periférica, sensores de chuva e crepuscular e retrovisor eletrocrômico (R$ 2 mil). Com todos os opcionais, inclusive pintura perolizada, o preço ultrapassa os R$ 88 mil. Se a proposta é tornar o Cronos mais competitivo e ganhar vendas, incluir de série ao menos uma parte do que é oferecido como opcional talvez seja uma boa ideia. (Luiz Humberto Pereira/AutoMotrix)

Ficha Técnica
Fiat Cronos HGT

Motor: dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 1.8, 16V, injeção eletrônica, flex
Potência: 139/135 cavalos a 5.750 rpm com etanol/gasolina
Torque: 19,3/18,8 kgfm a 3.750 rpm com etanol/gasolina
Câmbio: automático de 6 marchas, tração dianteira
Direção: elétrica
Suspensão: Independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira
Freios: discos ventilados na dianteira e tambores na traseira
Rodas e pneus: rodas de liga leve 6,5” x 17”; pneus 205/45 R17”
Dimensões: 4,36 metros de comprimento, 1,72 metro de largura, 1,51 metro de altura e 2,52 metros de entre-eixos
Tanque de combustível: 48 litros
Porta-malas: 525 litros
Peso: 1.271 kg
Preço base: R$ 78.490. Com todos os opcionais e em cor perolizada chega a R$ 88.040


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