EDITORIAL

Ficou barato

Os desdobramentos do episódio do carro na praia não foram nem um pouco favoráveis à imagem do Legislativo

O motorista da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes usa o carro oficial para ir à praia e recebe como punição uma suspensão de três dias, além de uma multa pecuniária. Pelo visto, ficou barato. Uma “punição” que, em lugar de servir como corretiva, pode acabar até incentivando outras ações desse tipo. Pelo visto, não existe no Legislativo um sistema adequado de controle do uso de veículos e nem se tem notícia de que após o malfadado episódio, algo tenha sido feito nesse sentido.

A propósito, não fosse a denúncia de um munícipe, que se indignou ao ver o veículo da Câmara estacionado diante uma residência, na orla de Bertioga, e decidiu denunciar, postando as fotos em rede social, o abuso passaria simplesmente despercebido. Assim como podem ter passado outros episódios diante da fragilidade do sistema de verificação adotado pelo Legislativo de Mogi.

Ao comando da Casa cabe adotar medidas para evitar que tais episódios se repitam e regras internas que resultem em punições capazes de desestimular o uso inadequado dos veículos.

Uma maneira de fazer com que isso ocorra poderia ser a adoção de uma política de real transparência, disponibilizando, em tempo real, no portal da Câmara na internet e outras redes sociais o mapa de saída, destino, retorno, quilometragem e gasto com combustível de cada veículo para que a população pudesse ajudar na fiscalização do uso dos veículos oficiais. Com as facilidades tecnológicas atuais, seria possível até mesmo permitir que cada carro pudesse ser acompanhado na tela de computador, durante as viagens, dentro ou fora dos limites da cidade.

São sugestões que, se adotadas, poderão dar um significado especial à forma com que os vereadores estão utilizando os veículos públicos. Quem estiver usando o carro para cumprir sua função de representante da população, na cidade ou fora dela, nada terá que temer ou se preocupar.

Tais cuidados, entretanto, evitariam o mau uso do bem público em situações nada condizentes com seus objetivos específicos, como foi o caso do carro que foi parar junto às praias do litoral de Bertioga.

Medidas há que serem tomadas para que a Mesa Diretora, ou até mesmo os vereadores que atuam dentro dos limites da legalidade e da moralidade, não venham a ser colocados na vala comum de quem, porventura, desobedeça as regras existentes ou permita abusos de parte de motoristas e assessores.

Os desdobramentos do episódio do carro na praia não foram nem um pouco favoráveis à imagem do Legislativo perante a comunidade mogiana. Que medidas urgentes sejam tomadas para que tais fatos não venham a se repetir.