Fim de ano traz alento ao comércio

Como presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região do Alto Tietê (Sincomércio) e membro do conselho do Comércio Varejista do Estado, Valterli Martinez tem propriedade para falar sobre a economia local. Ele se mostra otimista para o último quadrimestre do ano, faz um balanço sobre o desempenho do mercado nos últimos tempos e ainda fala sobre algumas bandeiras que o Sincomércio defende, como mudanças na área central da cidade e a instalação de um Sesc por aqui.

Qual é a expectativa em relação ao comércio para este último quadrimestre de 2019, quando vários fatores podem injetar dinheiro na economia local, como a Semana do Consumidor, o Dia das Crianças, a Black Friday, o Natal, o pagamento do 13º salário e o saque de parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)?

Neste final de ano, o cenário de retenção não deve permanecer. O pessoal já economizou o que podia e as lojas
estão trabalhando no limite de pessoal, para evitar custos elevados. Com as vendas do último quadrimestre, impulsionadas pelas datas comemorativas, o 13º e o FGTS, não tem como os comerciantes não contratarem mão de obra. Então vai haver aumento de contratações, e em contrapartida mais compras. Na economia do Alto Tietê, só de FGTS é esperado que seja injetado entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões.

Não é de hoje que o país enfrenta uma recessão financeira, cenário que se repetiu no primeiro semestre deste 2019. Diante disso, qual é o balanço das cidades do Alto Tietê em relação ao mesmo período do ano passado?

Fizemos um levantamento comparativo entre o primeiro semestre de 2018 e o de 2019 em toda a região. Englobamos as cidades menores numa categoria só e destacamos as maiores, Mogi das Cruzes e Suzano. No segmento varejista de pequeno porte, Mogi registrou uma queda de 2% em relação ao ano passado, enquanto Suzano teve crescimento de 2% a 3% e as demais cidades aumentaram em 1%. Nos supermercados, Mogi e Suzano cresceram 2%, e as outras 1%. As farmácias tiveram números mais significativos: Mogi e Suzano com aumento de 3% e 4% nos demais pontos. E embora não atuemos no setor de serviços, temos os dados: Mogi teve queda de 2%, Suzano elevação de 4% e aumento de 1% no restante dos municípios.

O que estes números mostram?

Mostram que muitos estão pagando para ver se vão acontecer as mudanças necessárias da previdência e em outros
setores. Estão com medo, pensando que se o governo não tomar certas medidas não haverá dinheiro para se manter sustentável, e sem investimentos do mercado externo o cenário não é favorável. Ou seja, as pessoas estão com receio e cansadas de sofrer e pagar as contas do próprio bolso. Estão com medo de investir, o que até fazem, mas não na proporção necessária para crescer.

Enquanto o comércio varejista diminuiu em Mogi, os serviços cresceram em Suzano. O que isso quer dizer?

Quer dizer que não há loucura de gastos. Para trocar uma geladeira uma pessoa pensa 10 vezes e acaba mandando para o conserto, o que vale para roupas também. Por isso os serviços cresceram um pouco. Outro fator é a Lei Mogi Mais Viva, que impossibilita o uso das vitrines das lojas para a divulgação de promoções. Por conta disso muitos comerciantes que tinham duas ou três lojas por aqui têm agora somente uma, e transferiram o restante para Suzano, onde se pode falar diretamente com o público.

O Sincomércio defende atualização da Lei Mogi Mais Viva. Como assim?

É provado que a lei prejudica as vendas no comércio, pois ela se esquece da vitrine dos comerciantes, que só podem fazer intervenções um metro para dentro das lojas. Só que onde eles vendem? Onde fazem divulgação, promoções e liquidações? Na vitrine, que é deles, pois pagam Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para isso, mas não podem utilizar. As pessoas compram com os olhos, e sem essa atração as vendas são diretamente prejudicadas. Mesmo lojas grandes precisam deste recurso, pois somente a marca exposta no letreiro não adianta. Neste sentido, centros de compra levam vantagem, pois têm a liberdade de fazer o que quiserem nas vitrines, e acabam vendendo mesmo com preços mais caros do que a área central.

Por quais outras mudanças na área central a entidade luta?

Temos pleiteado junto a outras entidades e até mesmo com uma frente parlamentar, para levarmos mais estrutura ao Centro. No ano passado, por meio do Sesc levamos bandas, palhaços e outras atividades para movimentar a área, e agora estamos um novo projeto para proporcionar novos eventos e serviços de entretenimento que estimulam comerciantes a ficarem abertos até mais tarde.

Outra bandeira do grupo é a instalação de um Sesc em Mogi, o que era um sonho do fundador do Sincomércio, Airton Nogueira. Como o senhor vê esta conquista?

Um Sesc só traz benefícios para a cidade e a região onde é instalado. Apenas para a obra, vai investir R$ 140 milhões e movimentar a indústria local, por meio de licitações para contratação de empreiteiras, mão de obra e materiais de construção. Depois de pronto, vai contratar mais de 300 pessoas diretamente e outras 500 indiretamente, como artistas e empresas terceirizadas de limpeza. Isso fora o fomento da cultura com shows gratuitos e/ou de baixo custo. É a realização de um sonho, não só do Airton, mas de todos nós.

Aliás, qual é a missão do Sincomércio?

A missão principal é fomentar e dar toda assistência jurídica e trabalhista para os comerciantes, além de alguns
outros serviços que foram desenvolvidos pensando nas necessidades das pequenas e médias empresas. Focamos nelas pois as grandes já tem advogados e setor de recursos humanos próprio, então o objetivo é fornecer uma estrutura robusta para quem é menor.

Em quais cidades o sindicato atua?

Hoje temos uma convenção, que é a única para todo o Estado, e atendemos oito cidades da região: Mogi das Cruzes, Suzano, Itaquaquecetuba, Poá, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Salesópolis e Biritiba Mirim. Trabalhamos em cima da convenção coletiva de trabalho, pois mesmo com as mudanças da reforma trabalhista continua este documento tendo a legitimidade, já que ficou bem claro que o negociado vale sobre o legislado, ou seja, todos os acordos, exceto em alguns itens específicos como férias e segurança do trabalho, podem ser ajustados.

Quantos associados a entidade tem, e quais os segmentos deles?

Em todo o Alto Tietê o Sincomércio tem 14 mil empresas cadastradas. Representamos supermercados, feirantes e o comércio varejista de modo geral, como pequenas mercearias, lojas de material de construção, roupas, acessórios e muitas outras. Só não trabalhamos com farmácias, postos de gasolinas e alguns outros segmentos que possuem sindicatos próprios.

Como funciona o suporte oferecido aos comerciantes?

Quando uma nova empresa é aberta, a convidamos para nos conhecer ou caso ela solicite enviamos um representante para fazer uma visita e conhecer todos os problemas e necessidades jurídicas e trabalhistas. Inclusive temos parceria com o Sebrae e a Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e oferecemos alguns cursos de graça e outros com bons descontos para capacitação dos comerciantes.

A reforma trabalhista tem sido tema de palestras promovidas pelo Sincomércio. Por que é importante falar sobre este assunto?

Todas as mudanças promovidas pela reforma precisam ser entendidas pelas empresas, pois sem as informações corretas pode ocorrer um passivo trabalhista muito grande. É um tema polêmico, pois costuma-se pensar que as medidas beneficiaram o comerciante e prejudicaram os empregados, mas não é bem assim. Pelo contrário, elas equalizaram a balança.

As novas medidas permitem a contratação de funcionários em regime intermitente, ou seja, em regime temporário. Como o sindicato vê isso?

Apesar de ser um pleito da nossa entidade, ainda não recomendamos fazer a contratação intermitente, pois há muitos problemas jurídicos relacionados a ela. Seria irresponsabilidade afirmar que este tipo de trabalho não pode gerar processos trabalhistas, pois os juízes ainda não entendem claramente como isso é feito e alegam prejudicar os colaboradores já contratados.

Então qual a recomendação para períodos em que há necessidade de aumento da equipe, como o Natal e a Páscoa?

Contratar uma empresa de recrutamento, ou seja, contratar mão de obra terceirizada, para evitar correr um risco trabalhista. Aconselhamos a fazer desta maneira, pois mesmo que os custos sejam um pouco mais altos, não há chance de sofrer processos. No entanto, é preciso conferir se o grupo escolhido é idôneo, se recolhe todos os impostos e encargos, e vale lembrar que é possível efetivar aqueles que se destacarem em vagas temporárias.

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