EDITORIAL

Fim de linha

As últimas estações ferroviárias entregues pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, a CPTM, estão completando quatro anos de funcionamento. Primeiro, em fevereiro, Suzano comemora a data. Depois, em agosto, será a vez de Poá lembrar que conseguiu se ver livre das instalações antigas e inadequadas. Já Mogi das Cruzes começa 2020 sem qualquer previsão sobre quando as estações de Braz Cubas, Jundiapeba, Centro e Estudantes serão equiparadas a todas as demais da Linha 11-Coral.

A notícia sobre o chamamento público para “ouvir o mercado e a sociedade a respeito de uma possível concessão de direito real de uso das estações, com possibilidade de exploração comercial e obrigação acessória de reformas das três estações” é um grande balde de água fria nas expirações da cidade de ser melhor atendida pela CPTM.

Primeiro porque trata-se mais de um ensaio do que uma decisão que de fato resolverá um assunto levado no banho-maria pelos governos tucanos.

Segundo porque ao conceder a possibilidade de receber anteprojetos de engenharia para a reforma dos equipamentos mogianos, o governo do estado abre brecha para se perder os projetos executivos e básico contratados anteriormente e com previsão de entrega no primeiro semestre do ano passado. Questionada sobre que fim levou o tal projeto, a CPTM fez que não leu e respondeu apenas ao que a interessava.

Esse mesmo projeto executivo estava sendo feito há quatro anos, como garantiu o ex-governador Geraldo Alckmin na inauguração da estação de Suzano (entregue inacabada, ao custo de R$ 46,2 milhões e depois de seis anos de execução).

Têm razão as lideranças enfronhadas nos bastidores do transporte ferroviário: nossos representantes políticos deixam muito a desejar nesse assunto que interessa 43 mil passageiros diários da cidade (a maioria, sim, eleitores).

Por isso, Mogi segue como a única cidade do trecho entre São Paulo e o Alto Tietê que convive com o abre e fecha das cancelas para o trem passar até hoje (embora tenha eliminado três passagens de nível) e com estações remendadas, sequer com banheiros adequados. Ah, detalhe, no chamamento público, curiosamente não consta Braz Cubas.


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